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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
sábado, 14 de janeiro de 2017
sexta-feira, 13 de janeiro de 2017
HOMEM-ARANHA, NO JAPÃO, QUASE FRACASSOU! SAIBA MAIS...
Quem
poderia imaginar que a poderosa Marvel Comics
detentora dos direitos
de licenciamento de um super-herói,
que é um fenômeno de venda em
boa parte do mundo, teria
dificuldade de obter sucesso com ele no
País do Sol Nascente?
Relaxe e
curta a interessante matéria a seguir,
webleitor, e saiba mais como
o...
HOMEM-ARANHA TEVE QUE SUPLANTAR OBSTÁCULOS
PARA FAZER SUCESSO
no início dos anos 70,
ciente do sucesso mundial que faziam as aventuras de um personagem da
Marvel decidiu publicar
a revista do Homem-Aranha no Japão,
após
adquirir os direitos.
Porém,
não obteve sucesso.
Curioso
e inconformado com o insucesso da série o
representante da Marvel no
Japão, na época, foi procurar o editor porque não entendia como
um personagem que tinha feito sucesso
em diversas partes do mundo não
tinha acontecido no mercado editorial japonês. Uma pesquisa foi
feita entre os leitores locais do aracnídeo, que afirmaram gostar do
drama do personagem e de
suas aventuras. Porém, a maioria afirmou
que perdia muito
tempo lendo os textos dos balões e que aquelas
histórias
eram ruins para serem lidas entre uma estação do metro e
outra.
“Um
artista de quadrinhos japonês me disse que se ele pegasse
uma HQ do
Aranha original de 17 páginas, ele poderia fazer 100 páginas”,
declarou Gene Pelc, que representava e licenciava os personagens da
Marvel no Japão.
O que
sempre diferiu as HQs do Ocidente e do Oriente são
a forma de
apresentar uma HQ. Um mangá, por ter um grande
número de páginas,
usa a linguagem cinematográfica de imagens
e pouco texto. Portanto,
ler um manga é coisa rápida.
No Ocidente, como as edições são
limitadas por certo número de páginas. Muitas imagens são supridas
e há um excesso de texto.
Por
exemplo, uma edição de Tex de 200 páginas leva muito
mais tempo
para ser lida do que qualquer mangá.
Enfim, o
homem da Marvel concluiu que o problema não
era com o personagem e
sim com a forma como as HQs
dele eram apresentadas, num mercado que
estava
habituado a consumir um quadrinho altamente digestivo.
Para que
o Aranha emplacasse no Japão suas HQs teriam que ser adaptadas para
a linguagem dos mangas, concluiu Gene Pelc.
HOMEM-ARANHA
EM
VERSÃO JAPONESA
Em fim,
O Homem-Aranha só passou a fazer um
relativo sucesso no Japão
quando Ryoichi Ikegami -
futuro autor de seres consagradas como
Crying Freeman,
Mai – A Garota Sensitiva, Sanctuary, Samuray
Crusader
UM JOVEM ARTISTA
Ikegami
tinha sido assistente de Shiheru Mizuki,
o criador do bem-sucedido
Gegege no Kitaro, série
que marcou época nas páginas da mais
importante
publicação semanal da editora Kodansha, a Shonen
Magazine, que na época era a campeã de vendas,
ocupando o status
que depois veio a pertencer
à Shonen Jump.
Ikegami
era de origem humilde ao contrário de boa
parte dos artistas
bem-sucedidos da época, como
Yohsiharu Tsuge e outros, que eram
intelectuais.
Na
efervescência do mercado editorial japonês nos anos
60, a maioria
daqueles veteranos autores tinha bagagem
para dar equilíbrio as
necessidades de fazer uma HQ comercial
com certa carga cultural
local. Ikegami não tinha essa
capacidade e seus personagens eram, em
geral, inseguros
e talvez por isso não obtinha sucesso. Desenhar as
HQs
do cabeça de teia foi o melhor negócio que Ikegami fez
para
alavancar sua carreira profissional, até então insípida.
Ele
iniciou uma saga bem sucedida de 5 volumes mensais com aventuras do
aracnídeo na editora que concorria com a poderosa Shonen Magazine de
então – atual Monthly Shonen Magazine.
Explorando
mais a linguagem visual habitual das HQs feitas
o Japão, o
desenhista e escriba aos poucos foi conquistando
os leitores
nipônicos.
HOMEM-ARANHA
NO
ESTILO
MANGÁ
NO BRASIL
NO BRASIL
Mas, se a versão oriental do Aranha emplacou no
Japão, nos outros países ela não foi tão bem recebida. Por exemplo, o início do Homem Aranha publicado pela Mythos, no Brasil, reproduzia as HQs juvenis criadas no Japão, aparentemente, baseadas na criação original de Stan Lee e Steve Ditko, da Marvel.
Mas,
bastava ler a primeira edição para constatar que
naquela série
havia algumas bruscas alterações: Yu Komori
(versão nipônica de
Peter Parker) era um adolescente deslocado
e sem amigos que só
pensava em estudar.
Ao contrário de Parker, sua nerdice era fonte de
ironia,
mas se dava bem com os amigos de escola. Vivia coma tia
May e
não aparecia o tio Ben. Quanto aos poderes
adquiridos pelo rapaz, a
origem foi apresentada de
forma reduzida, mas similar ao original
americano
criado por Lee e Ditko.
Logo na
primeira aventura, Komori (Parker) conhece
uma garota chamada Rumi
(Rumiko), que estava em Tóquio
à procura de um irmão que tinha
desaparecido e que era
o único que podia pagar as contas da mãe
hospitalizada.
Komori decidi ajudá-la utilizando sua recém-inventada
identidade de Homem-Aranha. Por fim, o Aranha acaba
matando num
combate o vilão chamado Electro, que não
era o suposto raptor do
irmão da garota. Na verdade,
Electro era o próprio irmão da garota
que tinha simulado
o tal rapto. Assim, ela passa a odiar o Aranha,
por ter
matado seu irmão, o único que podia pagar as despesas
hospitalares da mãe internada. Um verdadeiro dramalhão mexicano.
Na
época, Ryoichi Ikegami, o autor dessa versão japonesa
do Aranha,
era um autor inexperiente que tinha
apenas um trabalho em seu
currículo, a série Auieo Boy,
escrita por Kazuo Koike – autor do
clássico Lobo Solitário.
Ikegami só amadureceu profissionalmente e
definitivamente
sua arte ao realizar obras como Sanctuary,
Crying
Freeman e Mai, anos depois.
Convenhamos
que a arte dele foi evoluindo aos poucos,
também, ao longo que
produzia a série do Homem-Aranha,
mas tentar adaptar elementos que
não pertenciam ao
universo do personagem da Marvel foi lamentável.
A série desagradou os fãs ocidentais do personagem e
também não
agradou alguns leitores japoneses.
Ikegami
ainda tentou se aproximar da versão americana
ao fazer o herói
enfrentar inimigos clássicos como o
Lagarto e outros, criados
originalmente pela Marvel,
mas ao enfrentar o Canguru, Komori (Peter
Parker),
desiste de ser o Aranha. No mundo dos quadrinhos já
virou
piada o número de vezes que Parker desistiu de
ser o herói, até
mesmo nas HQs originais americanas.
Numa
outra fase do Aranha, com desenhos menos caricatos,
no estilo mangá,
Komori (Parker) totalmente
desequilibrado fica maluco e fantasiado de
Aranha
começa a atacar as pessoas na rua. Convém frisar
que, essa
HQ foi publicada 16 anos antes do Cavaleiro
das Trevas, de Frank
Miller.
Para
tentar resolver o problema surge Mysterio, um novo
herói que decidi
salvar Tóquio das garras do Aranha
enlouquecido. Numa batalha final
os oponentes se
confrontam e o Aranha obtém a vitória e volta a
administrar de forma mais equilibrada os seus problemas
psicológicos
graves com a identidade de super-herói.
A dramaticidade criada
nessa HQ produzida no Japão
supera os dramas vividos pelo aracnídeo
em sua versão
original americana e foi reverenciada como o ponto
alto dessas edições no estilo mangá desse famoso herói da Marvel.
MANGÁ DO ARANHA
NA
AMÉRICA
Desde
que o genial Frank Miller ajudara a divulgar os
mangás japoneses na
América, aos poucos, o estilo
oriental de fazer HQs foi tomando
conta do mercado editorial americano e acabou se transformando em
verdadeiro
sucesso editorial de diversas séries Made in japan.
Nesse
mesmo período, diversos seriados de super-heróis
nipônico também
começaram a ter boa audiência nas
emissoras de TV americanas. Ante
a nova realidade de
Na
América o mangá do Homem-Aranha foi publicado
em 6 edições, onde
o personagem só aparecia duas vezes.
A história dava ênfase ao
drama vivido por Kimori (Peter Parker).
A série
não agradou muitos fãs americanos, obviamente.
Segundo
especialistas em HQs, O Homem-Aranha no
formato mangá apresentava
histórias violentas que
tinham enredos sobre drogas e até estupro
- da namorado do personagem principal. Aquele tipo de histórias , no
Japão, eram comuns para os leitores de publicações shonen
(
destinadas aos adultos), mas nos Estados Unidos causaram
polêmica e
dores de cabeça aos editores. Cartas de protesto
chegavam as
centenas na redação.
As
vendagens na América da versão mangá foi um
fracasso e para piorar
a coisa, esta série conflitava com
alguns eventos da série original
americana que
estava sendo publicada simultaneamente.
O caos tomou
conta do universo do aracnídeo.
Depois
da publicação desse material polêmico, a Marvel lançou
A Sombra
do Aranha, uma HQ que antecedeu em
décadas Venon: um anti-Aranha,
que mostrava um
personagem poderoso com desvio de caráter.
Para
reafirmar os rumos que a série tinha tomado –
sombria e
desesperançosa – foi preciso dar um jeito
e melhorar o desastroso
início dessa seqüência de histórias.
Uma outra saga, ainda no
estilo mangá foi publicada,
mas desta feita as histórias foram no
estilo policial,
com belas seqüências narrativas de abertura da
série.
Infelizmente, a série deixou de circular – devido as
baixas vendas - na edição # 31 (no primeiro capítulo da
história,
que acabou ficando incompleta).
Alguns leitores ficaram frustrados e revoltados.
Alguns leitores ficaram frustrados e revoltados.
Aquela foi a última HQ do Aranha em versão mangá
que foi publicada nos Estados Unidos.
Segundo
os críticos e leitores americanos, as melhores
HQs do aracnídeo
foram publicadas no título
Untold Tales of Spider-Man,
de Kurt
Busiek, que contava histórias
do personagem
no início de sua
carreira.
Nessa
mesma época, surgiam as revistas em quadrinhos
da Image e as vendas
da Marvel e DC declinavam
assustadoramente. Isso preocupava os
editores e
assim os executivos da Marvel decidiram não mais
publicar
a versão mangá de seu personagem,
NÃO DEU
CERTO NA AMÉRICA,
ACONTECEU NO JAPÃO
Por
ironia, apesar do insucesso na América, esse
material teve algum
sucesso no Japão, permitindo
ao seu autor, Ikegami, continuar sua
carreira artística
no mundo das HQs. Mas, parou de escrever
histórias dramáticas e passou a se dedicar exclusivamente aos
desenhos e se deu bem fazendo parceria com roteiristas japoneses de
peso. Daí surgiram séries bem sucedidas que tornaram o desenhista
famoso, como: Sanctuary, Crying Freeman e outras.
Mesmo
após o encerramento da primeira série do
Homem-Aranha na versão
mangá, o personagem não
encerrou sua trajetória no País do Sol
Nascente.
Em 1978, ganhou uma série para a TV – produzida
no
Japão- , que não tinha nada a ver com o personagem
original, onde o
herói vivia histórias com robôs gigantes
e alienígenas, conceito
criado em 1973, na série
Jumborg Ace, que publicava as aventuras de
Jaspion,
Spectreman, séries a la Ultraman – antigo seriado que
fez
sucesso durante anos, no Japão e pelo mundo.
O animê
fez sucesso na TV. Tanto que ganhou uma
nova versão em mangá, desta
vez desenhada por
Mitsuru Sugaya que foi publicada, com um traço
infantil, na revista Boken - O Magazine, de Akita Shoten.
MARVEL SATISFEITA
Apesar
de tudo, a Marvel pode se dar por satisfeita,
porque apesar da
dificuldade inicial de introduzir
seus famoso personagem no mercado
nipônico de HQs,
o Aranha até hoje é lembrado no Japão. Não foi
à toa
que a estréia mundial do terceiro longa-metragem do
aracnídeo
foi lançado primeiramente em Tóquio.
Atualmente, os Amecomics –
como os japoneses
denominam as HQs Made in América - ,
são
publicados para um pequeno nicho de leitores fiéis.
Há quem
afirme que, se a venda dos mangás andaram
crescendo muito no
território americano, nas últimas
décadas, isto significa que as
HQs produzidas nos
Estados Unidos deixaram de fazer sua função
primordial: se comunicar de forma correta com seus leitores.
É fato
que os leitores orientais sempre deram preferência
aos heróis
criados no Japão. Entretanto, Batman e
Superman são reconhecidos,
respeitados e bem
populares por lá.
Uma
coisa é certa, a Marvel só conseguiu obter um
relativo sucesso com
o Homem-Aranha no País do
Sol Nascente, quando admitiu que o
personagem
tinha que falar o idioma desse povo e usar a
mesma
linguagem cultural e visual utilizada
nas publicações nativas.
Por Tony
Fernandes\Redação\Pegasus Studios
Uma
Divisão de Arte e Criação da Pégasus
Publicações
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