terça-feira, 20 de dezembro de 2016

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sábado, 17 de dezembro de 2016

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domingo, 30 de outubro de 2016

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domingo, 23 de outubro de 2016

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domingo, 9 de outubro de 2016

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

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sexta-feira, 22 de julho de 2016

ENTREVISTA COM CÉSAR CAVELAGNA, DESENHISTA E ANIMADOR!


Saudações, meus queridos webleitores, 
o entrevistado de hoje é desenhista, animador, 
ilustrador, roteirista, chargista, autor
premiado de peças teatrais e bacharel em artes 
plásticas e É discípulo do grande mestre 
da animação nacional Daniel Messias. 
Vi o trabalho dele, pela primeira vez, numa
vinheta da Globo, se não me engano em 1996.
Algum tempo depois, voltei a apreciar o trabalho
desse genial autor através de um programa 
dedicado as crianças.
Era uma animação exibida pela TV2 Cultura e de 
imediato fiquei fã daquele traço estiloso e genial. 
Este ano tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente 
na entrega do Troféu Ângelo Agostini, onde
fomos apresentados pelo ex-colaborador 
e velho amigo Jotáh, consagrado autor e 
ilustrador de livros infantis. Portanto, confira o
bate papo a seguir, que realizei com...

O INCRÍVEL CÉSAR
CAVELAGNA!




TONY 1: Bem vindo, grande César, poder trocar 
ideias com você e saber mais sobre sua brilhante 
trajetória profissional, com certeza, será uma honra.
Grato, por aceitar responder minhas questões.

CÉSAR: Grande, Tony e amigos Webleitores, é um 
prazer participar e me sinto honrado pela oportu-
nidade de compartilhar um pouco da minha
história com vocês.

TONY 2: A honra é toda minha, por poder divulgar
mais um grande profissional deste país, creia-me.... 
Jura dizer a verdade, nada mais do que a verdade?
 Rssss...

CÉSAR: Sim, meu capitão! Rsrsrsrsr...

TONY 3: Então vamos lá, meu querido grumete!
Vamos começar a velejar... Rsss... em que dia, mês,
ano, cidade, estado, nasceu o autor de Simão e
Bartolomeu, série animada exibida pela TV2 Cultura,
que ainda faz muito sucesso entre os baixinhos?

CÉSAR: Eu nasci aos 20 de Setembro de 1974,
na cidade de São Paulo no bairro da
Vila Formosa.



TONY 4: Grande Vila Formosa, conheço bem... 
lá tem um cemitério muito famoso... Qual é o seu nome completo? Atualmente, você mora em que 
cidade e estado?

CÉSAR: Meu nome é César Cavelagna, do jeitinho 
que eu assino. Hoje moro na cidade de Jarinu no aglomerado Jundiaí, cidade perto de São Paulo.

TONY 5: Pensei que fosse nome de guerra, pseudônimo, você sabe... muitos usam nome de guerra.
Mora em Jarinu, ou seja, fugiu para o interior de São Paulo, longe da selva de concreto.... muita gente tem seguido 
seus passos. A violência impera na capital paulista, basta ver os noticiários diários.... em alguns poucos lugares do interior ainda é possível viver em paz.
Conheço bem Jarinu. É a terra da cachaça, da boa...
Rssss. Sua família, pelo visto, é de origem italiana... 
fale um pouco sobre ela. Quando migraram 
para o Brasil? Há algum outro artista na família?



CÉSAR: Sim, siamo tutti nervosi e comedor de
Lasanha! Rsrsrs... Meus bisavós vieram da Itália, 
mas não sei muito da história deles. 
Sei que vieram da região da Calabria e Napoli. 
A Itália é berço de grandes artistas dos quadrinhos,
sou muito fã do Giorgio Cavazzano. 
Infelizmente não há outro artista na família.



TONY 6: Ma que!? Nervosi? Comedores de Lasanha? 
Da Calábria e de Napoli? Tutti buona gente, César! 
Aliás, tamém adoro comida italiana! Ave, César... 
Rssss. O Cavazzano é um grande artista, sem dúvida, 
assim como a maioria dos rabiscadores italianos.
Sempre preferi os europeus do que os americanos, 
são mais artistas, eu acho... 
O que você lia ou curtia quando era pequeno? 
Preferia as histórias em quadrinhos ou
desenhos animados?


CÉSAR: Ambos! Adorava o universo mágico das personagens infantis. Quadrinhos eu lia Mauricio de Sousa, Disney, Recruta Zero, Luluzinha, O pequeno Nemo, Ziraldo, Ely Barbosa etc. Quando fui crescendo lia MAD, Chiclete com Banana, CIRCO, Principe Valente, Moebius, Will Eisner, Frank Miller. Sempre gostei mais dos personagens Infantis (cartuns) a Super Heróis. Na animação eu gostava de desenhos que passavam nas antigas TV Manchete, TVS(SBT) e Globo como Lorde Gato e Marmaduke, Lobinho, Gasparzinho, Marco, Thundercats, He-man, Disneylandia, Silver Hawks, Pinóquio, Tarzan, Pica-Pau, Hanna-Barbera,
Herculóides, Shazan, Snoopy. 
O meu desenho predileto era Caverna do Dragão.




TONY 7: Só gostava de desenhos ruins? 
Tô brincando... Rsss. Também curti muitos deles.
Prefiro as animações da antiga do que muito anime japurunga... Caverna do Dragão, esta série fez a 
cabeça de uma geração... Como, quando e por
que você optou pelo mundo da animação?

CÉSAR: Eu sempre gostei de desenho animado, mas como não via nomes brasileiros e nem personagens brasileiros na TV, pensava que o Brasil não produzia desenho animado. Eu tinha apenas quinze anos e assistia a comerciais e desenhos na TV. Curioso, eu decidi pesquisar um pouco de animação no Centro Cultural Vergueiro, lá eu pedia para a bibliotecária me fornecer material sobre desenho animado. 
Quase não tinha nada em Português, todo material estava em inglês e eu tentava entender um pouco da produção vendo as fotos e desenhos do livro.

TONY 8: Centro Cultural Vergueiro, conheço bem. 
É excelente e fica próximo a estação Vergueiro do metro.
De fato, antigamente, só existiam livros gringos sobre animação e isso desestimulava muita gente que queria 
fazer desenhos animados, mas que não manjavam de inglês... e portanto, não entendiam porra nenhuma. 
Muitos desistiam da ideia.... era uma merda. 
Segundo minha rede de espionagem internacional,
quase secreta, você trabalhou ou estagiou no 
Estúdio HGN, de Haroldo Guimarães Neto... 
como surgiu esta oportunidade? E o que 
desenvolviam eles, na época?







CÉSAR: Eu tinha 18 anos, por aí, estudava no 
colégio São Judas. Uma colega da escola trabalhava como recepcionista no estúdio HGN e vendo os desenhos que eu fazia na carteira da escola, me falou: 
- Por que você não vai lá no estúdio que eu trabalho, eles fazem desenhos pra Disney!
Respondi: - O quê? Você tá falando sério? 
Mas será que eu tenho chance ? Disney? Meu Deus! Kkkkk... Ela disse: - Vai lá e mostra seus desenhos 
para o Haroldo.

TONY 9: Disney!? Putz... dá pra imaginar o orgasmo que você teve, cara... rssss... continue...

CÉSAR: Enfim, eu fui até o estúdio e me matriculei
no curso de Animação Disney. Rapidamente fui aprendendo e logo passei a trabalhar como 
assistente no estúdio. Na época eles desenvolviam Comerciais e tinham produzido ALLADIN, PATETA, BONKERS, DUCK TALES...




TONY 10: Que maravilha! Poxa! Pateta, Alladin 
e Duck Tales... adoro essas series e aposto que
nossos webleitores, assim como eu, jamais imaginaram 
que essas series foram produzidas no Brasil. 
É por isso que adoro colher depoimentos dos nossos entrevistados e colaboradores. Sempre temos gratas surpresas, principalmente, sobre os bastidores. Beleza, Cesão. Sempre adorei desenhos animados. Tenho um projeto para fazer vinhetas de Fantastic Man e Capitão (Buana) Savana – dois personagens criados por mim – 
em animação. Mas esses projetos jamais saíram do papel, principalmente, por que fazer animação dava um trabalho danado. 
Mas, sei que atualmente a tecnologia facilitou muito na confecção desse tipo de trabalho. Outro dia, um amigo sugeriu: “Por que vocês não fazem desenhos desanimados, tipo, os primeiros da Marvel?”
Tamos estudando... Pergunto: Que ferramentas você usa para fazer suas animações? Desenha ainda tudo manualmente? Utiliza algum programa específico? 
Descreva seu processo de trabalho...

CÉSAR: A Tecnologia contribuiu muito para agilizar e baratear o processo de produção de animação, porém, os conceitos tradicionais são muito importantes ainda no desenvolvimento de uma boa produção.
A própria Disney mantém conceitos tradicionais e ferramentas para criar os concepts de seus perso-
nagens e de suas animações até hoje.
O tradicional e o Tecnológico caminham juntos 
quando se trata de animação. Isso é muito bom!
O meu processo de animação envolve conceitos tradicionais e softwares avançados, ou seja, gosto 
de desenhar no Photoshop , animar também, 
a nova versão do Photoshop oferece uma time 
line muito interessante pra fazer animação tradicional. Gosto de colorir no Photoshop também, depois importo tudo no After Effects e utilizo os recursos deste software para aprimorar ainda mais a animação, gosto muito do Toon Boom Harmony também, mas nenhum deste softwares serão usados em sua totalidade se os conceitos da animação tradicional não estiverem 
bem definidos na cabeça do animador.




TONY 11: Ficou nítida a importância que devemos 
dar aos conceitos da animação tradicional. Foi uma bela dica, sua, para aqueles que desejam entrar para o mundo
da animação. Legal, mestre. Seguindo.... A Borboleta 
Sem Asas, este foi seu primeiro trabalho profissional
ou teve outros antes? Fale-me sobre esta sua 
interessante criação.

CÉSAR: A Borboleta sem Asas foi uma história 
que criei com 20 anos de idade quando ainda era estudante de Artes Plásticas na Universidade 
São Judas. Ela foi inspirada na filha de uma amiga 
que nasceu com uma Amiotrofia Espinhal Aguda, 
o que impossibilita ela de ter movimentos
no corpo todo. Isso me tocou na época e foi aí
que tive a ideia de criar uma história de uma 
Borboleta Sem Asas. Esta história ganhou força ao longo dos anos e virou um Musical infantil premiado, foram 2 prêmios PANAMCO em 2002 como Melhor Musical Infantil, em seguida virou uma produção 
da TV CULTURA exibida até hoje e em breve vai se transformar num longa metragem de animação.



TONY 11: Genial! Parabéns! Como e quando surgiu a oportunidade de fazer animações para a TV2 Cultura?

CÉSAR: Eu estava colaborando com o estúdio HGN e estudava Artes Plásticas na Universidade São Judas, uma professora chamada Sandra Vita era coordena-
dora da TV Cultura no setor de Desenho Animado,
ela viu o meu trabalho, reconheceu meu talento e me levou pra trabalhar na Cultura junto com o Diretor de arte da época Luis Scarabel Junior.



TONY 12: Que sorte, hein? Essa professora caiu, literalmente, do céu... Rssss... não acha? Vislumrou, 
que ante ela havia um grande talento... Suas animações surgiram pela primeira vez nos programas X-Tudo e 
Cartão Verde? Correto?

CÉSAR: Rapaz, você pesquisou mesmo, 
hein... Kkkkk...

Tony 13: Acha que eu e meus espiões, quase secretos, estamos aqui pra brincadeira? Fuçamos a beca...
Rsss... mas, responda, sem pestanejar, sobre o
 X-Tudo e o Carão Verde, não enrola...

CÉSAR: Sim, eu fui convidado para fazer parte 
da equipe de animação da TV Cultura em 1997 pela Sandra Vita que era coordenadora na TV Cultura e foi minha professora na Universidade. Luis Scarabel 
Junior era diretor de arte da TV Cultura 
e me contratou. Eu fazia o visual do X-TUDO, abertura, vinhetas e animações. No programa Cartão Verde eu iniciei como chargista esportivo.





TONY 14: Você é um cara iluminado pelos deuses da animação, meu caro... ainda bem, afinal, o que é do
homem o bicho não come, diz um antigo ditado popular... Vamos nessa: Você contou com uma equipe para desenvolver aqueles desenhos animados ou trabalhou sozinho?

CÉSAR: Animação é um trabalho em equipe! 
Não só contei com outros profissionais como 
também aprendi muito com artistas como Sebastião Santana, João Guarche, Augusto Bastos, Haroldo Guimarães Neto, Ari Nicolosi, Adilson de Oliveira 
entre outros.






TONY 15: O time era da pesada, pelo visto.... 
Em geral, quanto tempo você leva para fazer 
aqueles belos desenhos animados, que exigem 
uma bela estrutura de produção?

CÉSAR: Entre criação, roteiro, storyboards, cenários, animação, áudio e pós-produção, cada episódio do Simão durava em média 45 dias para ser produzido. Contando com uma equipe de aproximadamente 10 pessoas.

TONY 16: Dá pra imaginar a pauleira e o trabalhão
da turma, meu irmão. Colaborei com o Estúdio do 
saudoso Ely Barbosa e vi como eles ralavam pra fazer,
na unha, um comercial para a D.D.Drim, de 15 segundos... era gente pra dedel... Simão e Bartolomeu, vamos falar sobre esses seus carismáticos personagens... a 
primeira vez que os vi, se não me engano, foi no canal infantil Rá-Tim-Bum, graças ao Jotáh, que me disse: 
“Tony, dá uma olhada no trabalho do Cavelagna. 
Tá fazendo um grande sucesso entre a garotada!”
Fui conferir e adorei Simão e Bartolomeu. 
Quantos filmes animados você fez dessa dupla apaixonante? E, quando você os criou? 
O cão me lembra o estilo de Francisco Ibañez, autor de Mortadelo e Salaminho. Acertei? 
Também sou fã dos desenhos cômicos europeus...

CÉSAR:O Simão nasceu em 2005 e imediatamente começamos a produzir uma série, começamos com pílulas de 1 minuto cada. O sucesso foi tão grande 
que de 1 minuto o Simão se transformou em epi-
sódios de 11 minutos, durante alguns anos o Simão 
foi o carro chefe do canal, além de ser o primeiro desenho animado brasileiro produzido para o
primeiro canal infantil brasileiro da TV por assinatura. 
Seu sucesso rendeu um convite da Editora 
Globo para lançar livros e Quadrinhos.
A inspiração para a criação do Design do Simão 
foi o GRIMMY de Mike Peters.






TONY 17: Alguém aqui falou em Francisco Ibañez? 
Rssss... só dou bola fora! Cheguei a comprar um desses livros da Globo feito por você. Ótimo material. Errei,
sobre o Francisco Ibañez... Rssss. Mas, o Mike também 
tem um estilão fantástico, que lembra o rabiscador
espanhol, também... talvez ele tenha se influenciado,
quem sabe, né? Rssss... 
Prosseguindo: Sidney, O Ratinho Viajante... fale-me
sobre esta sua outra criação.

CÉSAR: O Simão já estava consolidado como personagem, com série na TV, quadrinhos e
livros pela Editora Globo e um departamento de Marketing promovendo o personagem em todo o
Brasil e no exterior. Estava na hora de emplacar 
outros personagens. Eu adoro história e criei o
Sidney e o Juca Barato, 2 personagens que 
viajam no tempo e ajudam a história acontecer.

TONY 18: No país e no exterior? Fantástico! Eu não imaginava isso... Parece que Sidney e Bartolomeu 
ainda são exibidos na TV, estou correto ou
redondamente enganado? Atualmente não vejo 
muita TV...

CÉSAR: Sim, Ambos estão na grade de progra-
mação da TV Rá TIM BUM e no Canal ZOO MOO 
pela Sky.





TONY 19: É bom saber... nem sempre tenho tempo e paciência pra ver TV... mas, vou conferir. Parabéns.
A editora Globo lançou uma coleção fantástica de livros infantis, ricamente ilustrados, feitos por você, do Simão 
e Bartolomeu... como surgiu a oportunidade? 
E, em que ano isso aconteceu? Os textos e desenhos
são seus ou contou com colaboradores? A série teve quantas edições?

CÉSAR: A Cultura Marcas era o departamento que licenciava o personagem, Ricardo Fiuza era o dire-
tor na época e foi o responsável pela negociação do Simão com a Editora Globo. A Turma da Mônica de Mauricio de Sousa não fazia mais parte da Editora
Globo e nesta época a Globo me convidou para
produzir quadrinhos do Simão e Bartolomeu e livros infantis, na mesma época também estavam sendo lançados produtos com o Cocoricó, Ziraldo com o Menino Maluquinho e a obra de Monteiro Lobato
em quadrinhos. Aquilo parecia um sonho pra mim! 
Eu estava figurando no mercado de quadrinhos 
através da editora Globo junto com Ziraldo 
e Monteiro Lobato! Rsrsrsrsrsrs...

TONY 20: Uau! Você foi um privilegiado do universo, 
Cesão! Não conheci ninguém que tenha conseguido tal feito... continue... que história mais excitante...





CÉSAR: Infelizmente a Editora passava por dificul-
dades e todos estes projetos foram cancelados 
anos depois. Eu contei com a participação de vários excelentes colaboradores, entre eles o Jotáh, Peter-
son, Sergio Morettini, Rolt, Marcelo Cassaro,
Anderson Nunes, Denise Ortega, Kaled K. Kanbour
e muitos outros... Grandes talentos dos quadrinhos 
que fizeram um trabalho incrível com o Simão.
A estes excelentes artistas eu ofereço a minha
sincera gratidão e respeito.
Agradeço muito a Arlete Alonso, Luciane Ortiz
e a Dri Bertola da Editora Globo. A série teve 5 
livros em quadrinhos e 5 livros infantis.


TONY 21: De fato, você contou com grandes profis-
sionais do mundo das HQs e da animação, meu amigo... todos estão de parabéns, pelo excelente trabalho desenvolvido. Bem, agora vamos falar sobre: 
Vinhetas para a TV Bandeirantes... segundo meus 
espiões, você fez diversas. Em que ano você as fez 
e cite algumas...

CÉSAR: Eu entrei na Tv Bandeirantes em 2003 e fui Chargista esportivo até 2007. Lá eu fiz mais de 2.000 Charges animadas para os programas da casa.




TONY 22: Isto é o que eu chamo de uma carreira de sucesso, aliás, sucessos... Você tem um belo estúdio montado em casa, ou seja, com todo o aparato neces-
sário para fazer desenhos animados?

CÉSAR: Sim, eu tenho um belo estúdio com Cintiq, prancheta, mesa de animação e todo o material mais moderno para a produção de animações. 
Eu tinha um estúdio físico que ficava na cidade de Jundiaí, lá eu tinha alguns colaboradores fixos além 
de uma escolinha de Desenho Animado. Minha 
intenção era formar meus próprios profissionais. Também oferecia cursos gratuitos para a
garotada que não podia pagar.

TONY 23: Tinha? Que pena que acabou... mas, de
qualquer forma, parabéns pelo seu altruísmo. 
Oferecer cursos grátis para incentivar gente de talento, 
que não tem condições financeiras é uma nobre atitude. Admiro você ainda mais. Também ajudei muita gente a entrar no ramo, sem nada cobrar. 
Aprendi isto com o mestre Ignácio Justo, um cara que
até hoje tem um coração gigante. Meu grande e 
querido mestre...
De volta ao nosso bate papo legal... Em 2012, a editora Europa lançou uma edição especial feita por você cha-
mada Como Criar Personagens – aliás, muito bem feita. Você criou e desenvolveu o projeto e foi oferecer para 
eles ou fez sob encomenda?

CÉSAR: Eu criei e desenvolvi o projeto com a 
intenção de oferecer um material brasileiro de 
qualidade, em português e com um preço aces-
sível para a garotada estudar animação e desenho.





TONY 24: Gostei de saber. Quem quer, corre atrás,
vivo dizendo isso. Tem muito neguinho, por aí, criativo, 
mas que não corre atrás. Tem que ir pras cabeças... 
Ah, comprei a tal edição. É excelente... Bem, agora
vamos trocar idéias sobre a tradicional revista Recreio – lendária publicação destinada aos pequeninos, da editora Abril -, você também colaborou com ela?
Fazendo o quê? E, como surgiu essa boa oportunidade? Ainda colabora com a referida revista?


CÉSAR: Eu comecei a colaborador com a Revista Recreio em 2000, fiz muitos Passatempos, Cadês, 
Jogo dos Sete Erros e ilustrações diversas para a revista. Entrei na Recreio graças a indicação do 
amigo Marinho para a Monica Pina que era a 
editora da revista Recreio. Sou colaborador até hoje, publico na Recreio tirinhas com o personagem Simão. Adoro colaborar com a Recreio.





TONY 25: Essa revista, que foi criada pela professora e escritora Ruth Rocha, até hoje faz a cabeça da molecada. 
É genial... Chargista da TV Record... Cacilda, você não
para nunca, hein? Rsss... Conta pra gente, como você conseguiu este espaço nessa outra emissora de TV e 
como era ou é esse tipo de trabalho...

CÉSAR: Sou chargista da TV Record desde 2009, 
como eu já era bem conhecido como chargista esportivo, da Bandeirantes, e tive um Plim Plim
 da Globo que ficou muito famoso, fui convidado 
para ser Chargista do Esporte Fantástico da 
TV Record pelo Sérgio Hilisnky, em seguida fui convidado por Julio Cesar Balasso a fazer 
Charges para toda a programação 
Jornalística do Canal.

Tony 26: Seu talento é imenso, César. Lembro-me bem daquela animação que você fez para aquela vinheta da Globo. Adorei... e, por justiça, surgiram os convites, porque todos reconheceram seu talento... Qual é o nome do seu estúdio? É, de fato, uma empresa constituída,
com CNPJ e Inscrição Estadual?

CÉSAR: O nome do meu estúdio é TO BEAT 
DESENHOS ANIMADOS LTDA. Sim, é uma empresa constituída com CNPJ etc e impostos pra pagar! rsrsrsrsrs...

Tony 27: To Beat or Not To Beat? Rsss... genial! Você é maluco, tanto quanto eu. Também sempre vivi abrindo empresas e rebolado para pagar os encargos sociais e 
pra não deixar a “peteca cair”... C’est la vie, mon ami, 
como diriam os franceses. Mas, vale a pena se organizar
e constituir empresa. Isto torna o artista um empreendedor
e mais responsável, além de gerar empregos.
Fazer animação no Brasil sempre teve um custo 
operacional alto. No passado, a maioria das animações
eram feitas quase que exclusivamente para comercias de TV. Mesmo sabendo que a tecnologia chegou para 
facilitar a vida dos profissionais dessa área, como você mesmo frisou, questiono: Quanto custa, em média, 
um filme animado de 15 segundos?

CÉSAR: O custo de animação caiu bastante 
devido as novas tecnologias, softwares etc.
Um filme animado de 15 segundos pode custar 
entre R$ 5.000 até R$ 20.000 dependendo da complexidade, quantidade de personagens etc

TONY 28: Sei que antigamente custava uma nota preta... grato, pela informação... Daniel Messias, o finado Ely Barbosa, Mauricio de Sousa e outros foram os pioneiros
da animação profissional no país, segundo meus espiões... isto é correto?

CÉSAR: O Daniel Messias foi um dos maiores 
pioneiros da animação brasileira. Ely Barbosa e
Mauricio de Sousa também foram grandes pioneiros nesta área. Aliás, os 3 foram minhas inspirações
na infância.





TONY 29: Devemos, todos, tirar o chapéu para esses geniais artistas, gente. Daniel Messias... vamos falar 
sobre esse mago da animação nacional, que fez trabalhos para inúmeros comerciais de TV... 
ele foi seu grande mestre, César? Em O Livro da Animação, também lançado pela editora Europa, ele e você dão dicas maravilhosas para aqueles que desejam entrar para o incrível mundo do desenho animado. 
Como surgiu a ideia de realizar esta bela obra e 
convidar o Messias, um expert no assunto?

CÉSAR: Tony, eu nunca trabalhei diretamente com 
o Daniel Messias, mas o trabalho feito por ele e por
 seus colaboradores me influenciaram diretamente. Quem não se lembra de comerciais da Tostines, 
Snoopy, Kellog’s, Cheetos e tantos outros nos 
anos 80? Me lembro de gravar estes comerciais num videocassete e parar quadro a quadro no controle remoto para estudar as animações destes comerciais.
Em 2014 eu convidei o Daniel para participar do meu livro, ele colaborou com muito empenho e dedicação. Para mim, foi mais um sonho realizado, lançar um livro com o Mestre foi incrível. Novos livros virão em breve. Aguardem. Rsrsrsrsrs





TONY 30: Os comerciais que você citou foram incríveis e marcaram gerações. Aliás, algumas dessas fantásticas criações ainda estão aí, invadindo nossos lares, pela TV. Grande Daniel Messias... Quanto a outros livros abordando 
o mesmo tema: Manda bala, Cesão! Chega de livros sobre animação só estrangeiros. Precisamos formar novos e bons profissionais. Os desenhos animados brasileiros, assim, poderão se tornar uma realidade, como aconteceu com os desenhos japoneses, que atualmente empesteiam (no bom sentido. Rsss. Os japas também fazem um grande trabalho.) as TVs mundiais. Quais são os princípios fundamentais do desenho animado?

CÉSAR: OS 12 príncipios básicos são: Comprimir e esticar, Antecipação, Encenação, Straight ahead e
Pose to pose, Follow through & overlapping action, Aceleração e desaceleração, Arcos,  Ação secundária, Timing, Exagero, Solid drawing e Appeal

TONY 31: São coisas a beça e quem não entendeu bulhufas, tá na hora de fazer um bom curso de inglês, galera. Aonde se viu um artista de HQs, publicidade e animação, que não sabe porra nenhuma de inglês, com internet e o mundo globalizado? Estudar é preciso... 
Como era o mundo dos animadores antes 
da tecnologia? Antes do key frame?
Enfim, como era o processo de animação? 
Lembro-me quando colaborei com o Estúdio 
Ely Barbosa, como já disse, para fazer um comercial 
de 15 segundos ele contava com um batalhão de colaboradores, uma grande equipe de free lancers...

CÉSAR: Antes da tecnologia existiam pilhas e 
pilhas de papel! Rsrsrssrsr... Eu peguei o final desta fase, tive o privilégio de aprender animação como se fazia antigamente, sem auxílio de computadores, tudo 
na mão, na raça e no talento. Hoje ficou mais fácil, porém, novos animadores esquecem de aprender os fundamentos básicos e tradicionais de uma animação.
A síntese da animação está lá atrás, os conceitos tradicionais nunca podem ser esquecidos. O computador é uma ferramenta indispensável na animação moderna.

TONY 32: Além dos computers serem ferramentas vitais, hoje, para os animadores, o processo ficou menos antiecológico. Assim como nós, os desenhistas e 
editores, os animadores também detonavam pilhas
e pilhas de papéis. Haja árvores... Rsss. Vamos nessa: Cenaristas... como o nome sugere, devem ser os caras
que fazem os cenários, OK? Em que formato esses trabalhos são feitos? E com que material eles são 
pintados? Usam um programa específico?



CÉSAR: O artista de Cenários é um ilustrador! 
Na minha opinião, um dos melhores desta área é o Ronaldo Lopes Teixeira conhecido como ROLT. 
É função dele criar o clima adequado e a plataforma 
de atuação das personagens. Hoje em dia muitos cenaristas utilizam o Photoshop para ilustrar os cenários, alguns ainda usam materiais convencionais como tinta, nanquim, ecoline etc

TONY 32: Não sabia que o Ronaldão era o bambambam 
dos cenários. Parabéns, Ronaldo e grande mano amplexo, fera! Fora os cenaristas, uma equipe de animação também precisa contar com desenhistas, artefinalistas etc... 
em geral, quantos profissionais são necessários para
 realizar um bom trabalho?

CÉSAR: Tudo depende do tamamho da produção 
e do orçamento! Kkkkkk... Uma produção simples 
vai precisar de no mínimo um roteirista, um artista
de storyboard (Storyboardartist), um cenarista, um Concept artist, um animador e um editor.

Tony 33: Quer dizer, se o l’argent, a grana, for mixa, 
a equipe também é pequena. Mas, se a verba for boa, 
surge um puta time... tem sentido. 
E ainda há quem diga que dinheiro não trás felicidade... manda buscar. Rsss. Todo filme animado precisa ter um storyboard? Já fiz muitos storyboards para agências de publicidade e para produtoras de comerciais de TV.
Um storyboard é uma espécie de história em quadrinhos com imagens sequenciais e textos que apresentam a 
ideia do filme, tanto para o cliente quanto para o diretor 
que irá realizar o filme, em geral, com atores e atrizes contratados.

CÉSAR: Exato, o Story board dará o direcionamento 
das cenas e serve como elo entre toda a equipe e as etapas de produção.

Tony 34: Ta vendo como o véinho aqui ta ligado? Rsss... Atualmente é possível substituir a tradicional mesa de animação por um tablet?

CÉSAR: Sim, perfeitamente!

Tony 35: Deus salve a tecnologia! Rsss... Safe Área é o termo em inglês que é usado para determinar um Guia de Enquadração, OK? Explica melhor, para nós, os leigos, como é esse tal guia e para que serve...

CÉSAR: Existem campos visuais que determinam o enquadramento da cena. Por exemplo, em televisão
hoje usamos o formato HD 16.09 1920x 1080 Pixels.
O Safe área seve para delimitar as áreas que ocuparão as imagens e as áreas de texto também.



Tony 36: HD 16.09 nãoseioquepixels??? Cacilda, 
você manja da coisa mesmo, hein? Estamos tendo uma verdadeira aula sobre o assunto, galera... O que você prefere para executar uma animação: Lápis ou caneta digital?

CÉSAR: Os dois! Porém, como em televisão 
os prazos são curtos acabo utilizando mais 
a caneta digital.



TONY 37: Ficha de animação ou time line? Explica pra “nozes”... Rsss...

CÉSAR: A ficha de animação serve para apontar
os diálogos e detalhamento nas cenas, ajustar e sincronizar as falas das personagens etc. A time 
line é a mesma coisa, porém, com mais recursos e efeitos oferecidos pelo software.



TONY 38: Voltando a falar sobre o grande mestre Daniel Messias – sempre fui fã dele -, o mestre teve seus traba-
lhos reconhecidos, devido a alta qualidade, pelos maiores licenciadores internacionais, como: Warner, Hanna-
Barbera, Disney etc... Além disso, quem é que não se lembra do frango da Sadia, da menina Nhac da margarina Claybon, Dói-Dói da Johnson, do tigre da Kellogs, Fandangos e outros comerciais memoráveis? 
O tal frango da Sadia até hoje é exibido e continua genial, agora com altos recursos tecnológicos. Como foi trabalhar
e aprender com o mestre? O homem é metido ou é
um cara simples? Rsss...



CÉSAR: Não cheguei a trabalhar diretamente com o Daniel na época destes comerciais porque eu ainda
era uma criança! Kkkkkk...

TONY 39: Putz... pisei no tomate, mais uma vez. Você já havia me explicado isso, cara. Mil perdões, meus neurô-
nios andam bambos... Rsss...

CÉSAR: Vou falar como foi ter lançado um livro 
com ele...

TONY 40: Legal... manda ver...

CÉSAR: O Daniel foi muito amigo e prestativo e um
cara simples, forneceu todo o material e compar-
tilhou o seu conhecimento. Foi muito legal e tranquilo trabalhar com o mestre Daniel.
Pretendo lançar novos livros com ele em breve. 
Não tem como falar de animação Brasileira sem
falar do Mestre Daniel Messias.

TONY 41: Não resta dúvida. Ele é uma espécie de 
Disney tupiniquim. Ele é o cara! Galera que curte e quer fazer animação: vocês não podem perder esses lançamentos. Fiquem antenados nas bancas e livrarias! ARCS significa Linguagem da Animação, acertei? Explica pra gente como essa coisa funciona...

CÉSAR: Figuras humanas e animais geralmente se movimentam em arcos, sejam correndo ou andando. 
É comum que o animador, ao planejar a animação observe esta movimentação em Arcos na hora de animar.



Tony 42: Staging é a Encenação... dá pra
 explicar também?

CÉSAR: Em longas ou curtas metragens de 
animação e até mesmo em um simples comercial
de TV de 30 segundos, cada cena deve estar rela-
cionada com o filme todo, de forma a contar melhor
a ideia apresentada. Esse trabalho é feito na etapa de planejamento do projeto, por um profissional sob a supervisão do diretor, ou mesmo, pelo próprio diretor. No processo de staging, os melhores planos e ângulos são minuciosamente determinados, bem como cada ação do personagem, a combinação adequada de cores e também os movimentos dos cenários.
A preocupação básica nesse estágio é procurar 
tornar a ação clara para o público e ao mesmo tempo coerente com o enredo do filme.

Tony 43: Grato, pela explanação, mestre... Timing, ainda segundo a linguagem dos animadores mundiais, significa Temporização. Logicamente se deduz que é através do Timing que vocês sincronizam as imagens em tempo 
correto em cada cena. Acertei ou enfiei o pé na jaca?
Rsss...

CÉSAR: Mais ou menos, kkkk... O Sink labial para sincronizar as vozes também está relacionado a
Timing, só que a definição de Timing é um pouco 
mais abrangente, vamos-lá:
Há uma espécie de “quase unanimidade” entre os animadores de que timing é o mais importante, mas também o mais difícil dos princípios em animação 
e o que demanda mais tempo do profissional para dominar a sua prática. Um bom exercício é observar filmes de atores ao vivo. Timing é básico para estabelecer o caráter do personagem e as suas emoções, suas atitudes em geral e o animador 
consegue isso combinando ações mais rápidas
com ações lentas. Ações mais lentas demandam 
um número maior de desenhos e as mais rápidas, menos intervalos entre os key frames. Para ações extremamente rápidas o animador deverá empregar 
todo o seu arsenal criativo para sugerir que a
imagem esteja se deslocando com velocidade 
extrema como ocorre com algumas imagens que 
vemos nessa animação.


Tony 44: Minha nossa... isto está virando um intensivão sobre animação. Estamos aprendendo muito contigo, teacher... Avante: Slow Out/Slow In são termos em inglês que se referem a aceleração e a desaceleração dos movimentos. Explique com palavras simples como é 
esse processo...

CÉSAR: Aceleração e desaceleração (slow out e
 low in), as pessoas e os objetos não se deslocam 
no espaço com a mesma velocidade sempre. Geralmente, as ações são mais lentas no início, 
ganham velocidade e se tornam mais lentas antes
de parar. Isso ocorre com todos os corpos, pois 
estão submetidos à lei da gravidade. Um exemplo ilustrativo desse princípio é o movimento regular 
de um pêndulo, mais lento quando próximo às 
posições extremas e mais rápido nas intermediárias. 
O animador deve dominar bem o princípio da acele-
ração (slow out) e desaceleração (slow in) de um 
corpo, como ocorre com naquela animação do 
Piu-Piu: da mesma forma que o pêndulo, a ação fica mais
lenta e exige mais desenhos quando o personagem 
está próximo aos Key frames sob o efeito da inércia, 
e se torna mais rápida, e, portanto,exige menos desenhos quando está nas posições intermediárias.



Tony 45: Captei vossos “sinais de fumaça”, grande guru
da animação. Entendido. Continuando: Exageration (Exagero)... de fato, sempre vemos alguns exageros 
nas animações, mas isto deve ter uma finalidade 
específica, né? Dá pra explicar?

CÉSAR: O uso do EXAGERO em animação é muito
bem vindo, é graças a este princípio que as ações
se tornam mais perceptivas e divertidas em animação.

Tony 46: Ok... Dê um exemplo de Secondary Actions 
(Ações Secundárias)?

CÉSAR: Como o próprio nome sugere, a ação secundária é a animação que reforça a animação principal, tornando-a mais interessante e dando a ela mais graça. Lógico, esse tipo de animação sempre depende da principal e é sempre uma reação à ação 
que a governa. Exemplo: Uma personagem agita freneticamente duas bandeiras. As mãos da perso-
nagem geram o movimento principal e as bandeiras reagem como resultado dessa ação, esta reação da bandeira é uma ação secundária.



Tony 47: Bem explicado. Agora, vamos falar sobre
Squash e Stretch (Achatamento e Alongamento)... 
estes nomes designam técnicas muito comuns nas figuras de animação. Você sabe dizer quem foi o primeiro a desenvolver essa técnica?

CÉSAR: SQUASH (achatamento) e Stretch (alongamento) são os princípios mais empregados
na animação e portanto, os que um profissional que pretende fazer a animação deve dominar com maestria. Squash pode ser visto em animações de curtas metragens, com fortes estilizações dos personagens,
ou em suaves deformações dos rostos dos personagens, nos diálogos dos filmes de longas metragens. É usado quando um personagem, afetado pela força da gravidade, é projetado e se “achata”
contra o chão ou uma parede de uma forma diferente
da que ocorre no mundo real.

Tony 48: Saquei... de fato, da mais graça pra animações... Solid Drawing – Weight (Desenho Volumétrico)...
O que é um Desenho Volumétrico, grande César?

CÉSAR: O animador deve sempre estar atento à dinâmica do movimento e às suas leis, mesmo que 
elas só existam para serem contrariadas no reino da animação. O peso é uma dessas forças, movimentos 
de um ator que se levanta de uma cadeira e caminha. Veja, Tony, no início esse movimento é lento, ganha
aos poucos velocidade e desacelera até parar no final. Tudo se reduz a um bom timing. Quando um personagem salta, ele realmente está sendo impelido contra o chão. Ele tem que vencer a força que o prende
à terra, portanto, quanto mais rápido ele correr,
mais alto será o salto. Eventualmente, ele usará os ombros e os braços para auxiliá-lo nesse esforço.




TONY 49: Com certeza... são detalhes mis que um bom animador deve ficar atento, é óbvio... Straight Ahead 
(outro nome gringo que eu acho que significa Animação)... em outras palavras, o que isto significa exatamente este termo?

CÉSAR: O principio STRAIGHT AHEAD é aquele
em que você começa a animar do quadro 1 e vai
direto até o quadro final pensando em cada detalhe e ajustando para o movimento sair bem fluido. É um processo que chamamos de “DIRETO”. Onde o animador ataca a animação sem dó.

Tony 50: Haja trabalho... Pose to Pose (Posição Chave)... 
O que é uma Posição Chave? – Já deu pra sacar que entendo muito pouco ou quase nada sobre o assunto? Rssss...
Follow Trough (Continuidade)... bem, pelo menos 
essa deu para manjar... afinal, todo filme tem um 
continuísta para não dar mancada, né?
Qual é a exata função desse suposto profissional? – 
se é que acertei... Rsss.

CÉSAR: Este princípio consiste na tendência de determinadas partes de um objeto ou de um corpo (rabos, penachos, folhas,etc) continuarem a se
mover mesmo depois que o objeto parou o seu curso. Aqui, o rabo do frango, um elemento secundário do objeto, “segue” o movimento original do objeto principal, o corpo do frango, o qual determina o 
curso desse movimento.

Tony 51: Aprendi esses termos lendo alguns livros estrangeiros de animação, César... vamos ver outro: Overlapping (Sobreposição)... Cacilda, um animador, 
antes de tudo, tem que fazer um bom curso de inglês...
Rsss. Termos em inglês também são comuns nas 
agências de publicidade. Mas, explique melhor o que é Overlapping... se puder... Rsss...

César: Na natureza, as partes que compõe um 
objeto ou corpo não se movimentam todos ao 
mesmo tempo. No cartum também ocorre fato semelhante. Braços, cabelos, roupas, grandes 
orelhas continuam o seu movimento próprio 
mesmo depois que a massa principal do perso-
nagem parou ou mudou a trajetória do movimento.
Nada para ao mesmo tempo.

Tony 52: Claro, é uma questão de lógica, que um bom animador profissional deve ficar atento... Appeal (apelo)... essa eu juro que não entendi, pra variar... Rsss...

CÉSAR: APPEAL é o atributo que os personagens 
dos “cartoons” devem apresentar para seduzir as plateias e isso se consegue com um bom design, observando-se as leis da dinâmica e do movimento 
e, principalmente com a personalidade dos “atores” animados, sejam eles, heróis, vilões, cômicos ou trágicos. Gestos e expressões corporais têm que compor harmoniosamente um personagem e fazer
as plateias reagir de forma positiva aceitando-os
como reais. Não basta que a animação seja apenas tecnicamente boa, mas também que consiga trans-
mitir convincentemente todas as peculiaridades dos personagens envolvidos na história.

Tony 53: Cara, isto é fundamental e também deve ser aplicado aos personagens das HQs, com certeza... Animação cíclica... é uma animação repetida 
várias vezes?

CÉSAR: Sim! Animação cíclica é um recurso muito usado pelos animadores, mas que requer um certo cuidado em sua elaboração, pois qualquer falha 
poderá resultar em efeito desagradável causado pela sucessão repetida do erro. Mas quando bem execu-
tado, além da economia enorme de trabalho, 
seu efeito é bem interessante.

Tony 54: William Hanna e Joseph Barbera (Hanna-Barbera) utilizaram muito este tipo de coisa, devido ao curto espaço de tempo que tinham para produzir series contínuas para 
a TV... prosseguindo nessa verdadeira sabatina sobre animação... rsss... Lip Sync e Model Sheets... Essas consegui matar facilmente, eu acho... Rsss. Sincronismo labial e Folhas de modelo (referência )dos personagens,
que devem seguir um padrão. Quando desenhei Disney, Hanna-Barbera e super-heróis DC (para merchandising) usávamos muito, como base, os tais model sheets, que vinham da América. Essas folhas de referências servem para que os desenhistas não deturpem a imagem dos personagens. Suponho que deve ter sempre um profissional especializado em fazer a Sincronização Labial, correto?

César: É necessário...

Tony 55: Color Sketches (Cenários – Esboços de Cor)...
eles são feitos pelos cenaristas, acredito? 
Por aqueles que desenham os cenários...

César: Geralmente sim! Mas também pode ser desenvolvido pelo artista de concept também. 
Tudo depende do tamanho da equipe e de quantos profissionais fazem parte do processo. 
Eu mesmo crio personagens e cenários se precisar.
Em um estúdio grande ou de porte médio, o diretor 
de arte providenciará os estudos de cor dos cenários juntos com os personagens, enquanto uma outra 
equipe irá desenvolvendo a animação. 
Esses estudos se constituem em pequenos esboços 
de não mais que 3X4 polegadas e essa dimensão reduzida ocorre por que é mais fácil ter o controle 
da harmonia de cores, o processo flui rapidamente
e além disso, eles podem ser dispostos em serie 
para facilitar a visualização de toda a sequência.

Tony 56: Interessante... Há uma grande gama de 
softwares, scanners, tablets e cintiqs, que atualmente ajudam a facilitar o trabalho dos animadores, certo?
Há algum exagero em dizer que a tecnologia digital revolucionou o mundo da animação?

CÉSAR: Exagero algum! A tecnologia não só revolucionou como mudou o mundo da animação 
pra sempre.

Tony 57: Obviamente, os profissionais emergentes
usam tecnologia... e os animadores tradicionais 
ainda têm campo de trabalho?

CÉSAR: Os animadores tradicionais que migraram
para o tecnológico ficaram imbatíveis. Infelizmente 
nem todos os grandes animadores tradicionais migraram para o digital, estes acabaram perdendo mercado. Eu sou um dos profissionais que migrou
para o digital.

Tony 58: É isso aí. Ou o cara se adapta ou vai pro saco, literalmente. Isto também se aplica as HQs... Atualmente o mercado esta super aquecido. Há muita animação principalmente nas TVs por assinatura... Na sua opinião, enveredar pelo mundo das animações é um bom negócio? Ou ainda é muito restrito?

CÉSAR: É um bom negócio sim, mas não é fácil 
vencer nesta área. O futuro animador precisa
entender que levam anos para se transformar num animador de ponta, não é apenas aprender um ou 
dois softwares que vai fazer o cara se dar bem nesta área. É necessário empenho, talento, paciência, persistência e sorte. Desenvolver uma mente de animador é diferente de arremessar objetos usando softwares de animação.

Tony 59: Ouviram isto? Ele deu dicas preciosas...
caso você queira se tornar uma fera dessa área. 
No passado a maioria dos livros sobre animação, que apareciam no Brasil, eram em inglês, como já dissemos... hoje em dia a coisa mudou. Você recomenda algum
livro de autor nacional sobre essa matéria fascinante?

CÉSAR: Recomendo os meus próprios livros! 
Kkkkkk... São nacionais, de qualidade e preço justo.

Tony 60: Eu sabia que você não ia perder essa
oportunidade de fazer seu merchandising... afinal, a propaganda é a alma da negócio. Rsss... tá certo...
Saibam todos os webleitores que os livros do César,
pela editora Europa, estão à venda. Vale a pena 
conferi-los, galera. Recomendo-os... Preston Blair, 
Walt Disney e Walter Lantz e outros, todos foram 
grandes mestres da animação. Qual é sua opinião 
sobre eles? Você se inspirou, para fazer seus trabalhos, numa dessas feras?

CÉSAR: Com certeza, nos anos 80 a única forma
de termos um contato direto com animação era
através da televisão assistindo aos desenhos e personagens produzidos por estes estúdios. 
Preston Blair levou a didática da animação para 
os livros de uma forma simples.

Tony 61: Cheguei a comprar algumas edições do Blair 
que chegaram ao Brasil, mas na época meu inglês 
era fraco demais... daí, acabei desistindo de fazer animações, por pura incompetência, por falta de dominar
o idioma inglês. Histórias em Quadrinhos... já pensou
em fazer alguma destinada as crianças? Seu estilo é fantástico...

César: Bom, já produzi álbuns em quadrinhos com o Simão pela Editora Globo. Eu gostaria de produzir 
novas HQS. Quando conseguir uma nova editora que queira produzir meus quadrinhos eu volto a fazer.

Tony 62: Que Deus te ouça... com a atual crise política e monetária que atravessa o Brasil, tá duro achar editores 
pra investir. Mas, vai melhorar, com certeza. Não se deve desistir, jamais... Bem, depois dessa verdadeira aula 
sobre desenho animado, aposto que muita gente vai ficar interessado em aprender as técnicas dessa arte seqüencial encantadora, que atrai gente de todas as idades... assim,
 só me resta agradecer a você pela paciência que teve em responder esta verdadeira sabatina sobre animação. 
Césão, valeu! Muito sucesso e até uma próxima oportunidade. Precisamos de mais gente talentosa como você. E, parabéns por suas realizações. Ave, César!

CÉSAR: Tony e Webleitores, foi um prazer compar-
tilhar um pouco da minha história profissional com vocês. Eu que agradeço a oportunidade. Abraços e 
até a próxima!

Tony 63: Valeu! Foi uma entrevista fascinante, pode acreditar. Principalmente para quem deseja entrar ou 
saber mais sore o undo da animação, meu amigo!

Copyright 2016 – By Tony Fernandes – 
Pegasus Studios –
Uma Divisão da Pégasus Publicações Ltda -
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OBS: As imagens contidas nessa entrevista pertencem a seus autores ou representantes legais. Elas têm o cunho meramente ilustrativo.