terça-feira, 28 de abril de 2015

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EDITORA VECCHI -Uma História de Sucesso!

Como já citei em outras matérias que escrevi, 
foi de suma relevância  a contribuição que os imigrantes italianos deram para o surgimento daquilo que passou a ser denominado de “setor editorial brasileiro”. 
Desta feita vou abordar a história real de mais uma
empresa familiar de gente como a gente, simples, oriunda 
da Europa que acabou desenvolvendo um belo trabalho na Terra Brasilis. Assim como sua irmã italiana, essa casa editorial de nome homônimo ao da matriz fez história nesse país e em pouco tempo se tornou uma das casas editoriais
mais respeitáveis desse país, porque dominava o setor de fotonovelas. Em 1947, ao lançar a revista Grande Hotel, que trazia inicialmente histórias românticas com belas ilustrações feitas em meio tom, que pareciam fotografias, esta empresa que, até então, era uma modesta casa publicadora que se destacou no mercado interno, pois esse produto caiu 
nas graças da mulherada.
 A seguir, saiba mais sobre a saudosa e poderosa...

EDITORA VECCHI!



O que você faria se o seu irmão mais velho o mandasse
ir para uma terra estranha, para um outro país, sem 
ao menos compreender seu idioma, para abrir um negócio? Coisa de maluco? Uma missão impossível, ou quase?
Pois, saiba que aos dezessete anos, essa foi a missão
dada ao jovem Lotario, por Arthuro Vecchi. 
E o rapaz aceitou o desafio e rumou para o Rio de Janeiro
com a cara e a coragem. 
Lotario Vecchi desembarcou no Brasil com a finalidade de abrir uma editora, seguindo as instruções de seu irmão, que tinha ganhado muito dinheiro na Itália vendendo fascículos
por uma editora que tinha o sobrenome da família: Vecchi.
O italianinho aportou nesse país com a finalidade de abrir
uma editora, sem saber falar uma palavra da nossa língua oficial: o português. Essa viagem inusitada,  na verdade se transformou numa verdadeira aventura que acabou sendo coroada de êxito.

A INAUGURAÇÃO

Durante a viagem que cruzou o oceano as palavras de seu irmão mais velho não saiam da mente daquele rapaz: 
“Abra uma editora no Brasil. Lá há um país de
grandes possibilidades”.
De imediato foi à procura de um local para alugar e um contador que pudesse agilizar a papelada para abrir
a empresa. Oficialmente a editora Vecchi foi inaugurada
em 1913, por Lotario Vecchi, que obviamente trouxe algum dinheiro para investir. A editora começou suas atividades 
num pequeno prédio no número 47 e 49 
da rua Paulo de Frontim.

Inicialmente a editora Vecchi inaugurada no Brasil 
passou a vender figurinhas para colecionar – sem álbuns –, 
que só passaram a existir no país a partir de 1934, 
com as balas e doces da marca Hollandeza.
Segundo relatos, essa nova casa editorial nacional
cresceu graças as investidas ousadas e ao 
tino comercial do jovem Lotario.
Há quem afirme que certa feita ele hipotecou até a
sede da empresa para investir na editora. Por sorte,
esses lances arriscados deram certo e assim ele passou
a ganhar uma melhor infraestrutura quando montou
um pequeno parque gráfico. 
Objetivo: produzir impressos comerciais para
terceiros, auferir um bom lucro que fosse capaz de
bancar as revistas e livros que o jovem pretendia 
lançar no país. Durante 7 anos a empresa se
dedicou ao atendimento de clientes.

FOLHETINS ROMÂNTICOS




1920 – Foi nesse ano que a empresa começou a lançar 
os primeiros folhetins românticos, que passaram a ser
vendidos por jornaleiros no sistema porta a porta e
nas feiras populares. Naquela época as mulheres 
eram castas. As jovens de classe média eram preparadas 
e educadas para se tornarem boas donas de casas e esposas.
O romantismo estava em alta e alguns editores sabiamente abasteciam essas futuras senhoras, cheias de sonhos, com folhetins românticos.
Naquela época havia poucas opções de lazer e essas histórias eram tão boas que até alguns homens  liam aqueles livretos fininhos semanais, que
a cada edição trazia um capítulo eletrizante.

UMA CURIOSA ESTRATÉGIA
DE VENDA




Como o público-alvo desse tipo de publicação eram
as donas de casa, as donzelas e algumas empregadas
domésticas – apesar que poucas dessas serviçais
soubessem ler -. o “marketing” era feito diretamente
nas residências.
Esses folhetins eram por duas ou mais edições colocados
sob a porta gratuitamente, para aguçar a curiosidade das leitoras -, depois alguém ia buscar o pagamento, caso 
a pessoa tivesse interessada de ler os demais episódios
daqueles romances açucarados e ingênuos,
 mas cheios de suspense. Na época algumas escritoras 
como a francesa M. Delly – que na verdade era o
pseudônimo do casal irmãos Frédéric (1875-1947) e
Jeanne Marie de La Rosiére (1875-1947) faziam sucesso.
Devido a boa receptividade por parte das leitoras, aos 
poucos, o editor passou a ampliar o número desse folhetins dirigidos especialmente para o chamado “sexo frágil”.

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS

Muito antes da Vecchi ser reconhecida como
uma grande editora de fotonovelas de amor, mais
precisamente em 1929, o jovem editor teve uma experiência com HQs ao lançar  um tablóide chamado Mundo Juvenil,
onde eram publicados diversos personagens, 
Made in America, destinados ao público infantil.
Porém, como as vendas não atingiram o mesmo
patamar auferido pelas fotonovelas românticas a
edição foi cancelada.
Somente em 1950, a editora sediada no Rio de Janeiro 
voltou a se aventurar no mundo das Hqs ao lançar  
o Pequeno Xerife e Xuxa, títulos que também eram 
lançados na Vecchi italiana e que faziam sucesso. Essas publicações eram no formato horizontal e em cada página havia uma tira de jornal sequenciada.  



                 
ANOS 40

Milagrosamente, nessa década, a Vecchi já estava 
estabilizada e especializada nesse tipo de produto 
destinado para as mulheres. Empolgado, o editor 
que não tinha curso superior, mandou trazer da 
Itália edições que podemos classificar como 
fotodesenhos – Arthuro foi o primeiro a trazer esse
curioso tipo de produto editorial para o Brasil, em 1940, que traziam romances desenhados em meio tom, que pareciam fotografia, que foram as precursoras das fotonovelas –
 que o ítalo-americano Victor Civita (1907 – 1990), 
fundador da editora Abril no país, só trouxe em 1952,
publicando-as na revista Capricho, destinada ao público feminino.
As tais revistas de histórias românticas desenhadas 
foram um sucesso. Mas ao ver, anos depois, a editora
Abril lançar fotonovelas que vendiam bem, não hesitou 
e, de imediato, adquiriu os direitos de algumas 
publicações do gênero de editores italianos 
e as lançou no país.
A Vecchi também entrou na onda das fotonovelas
e seus títulos se tornaram verdadeiros campeões de vendas.

Além das fotonovelas havia também coleções de romances policiais, cujo público-alvo eram os rapazes. Porém, essas edições com aventuras interessantes de Arsène Lupin, 
que eram escritas por Maurice Leblanc, muitas vezes acabavam sendo lidos por diversos membros da família independentemente do sexo.
Outra coleção que fez muito sucesso na época, pela
Vecchi, era O maior Êxito das Telas. Esta serie 
apresentava verdadeiros clássicos do cinema, como: 
Anástacia, O Corcunda de Notre Dame, A Dama
das Camélias etc. Tinha escritores de peso como  
Alexandre Dumas – autor dos 3 Mosqueteiros -, 
George Sand, Mark Twain, Rafael Sabatini e 
outros, numa outra serie chamada Os Audazes.  

Não demorou muito para essa casa editorial que crescia timidamente lançar outros títulos. Marcaram época:
Os Mais Belos Contos Policiais, Os Mais Belos Contos Terroríficos  etc.

Segundo especialistas, as publicações da Vecchi que antecederam o lançamento das HQs eram maravilhosas. 
Suas capas eram tão belas como as melhores dos pulps
magazines editados na América. 
À medida que a empresa se consolidava o editor
foi se ajeitando e certo dia decidiu se casar, 
constituir família.

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS



Na Itália, seu pai tinha apostado suas fichas numa
revista de história em quadrinhos de western, que
fora sugerida pelo seu tio-avô: Tex, publicação que
se revelou agradar os leitores, pois vendia bem.
Assim, como a Vecchi brasileira adquiria os direitos 
de muitas edições italianas de grande sucesso na Itália para reproduzí-las, essa serie de western também foi comprada. Havia uma esperança de que ela poderia agradar 
os leitores brasileiros.
Entretanto, o editor não tinha observado que Hollywood 
aos poucos diminuíra a produção de filmes do gênero, caso tivesse analisado a realidade sobre os filmes e series de 
HQs de western jamais teria se aventurado a lançar Tex.
Isto aconteceu em 1969, numa época em que as edições de cowboys já não vendiam tão bem quanto há alguns 
anos atrás. Até 1969 havia diversos títulos desse gênero, 
Made in U.S.A, sendo editados no país.
Porém, aos poucos as HQs de super-heróis tomaram 
conta dos pontos de venda.

GRAÇAS A EPOPÉIA-TRI
É QUE TEX FOI LANÇADO
NO PAÍS


Remando contra a maré, contra a tendência de 
mercado, que cada vez mais ofertava aos leitores e colecionadores Hqs de super-heróis, de repente, a editora Brasil-América lançou a coleção Epopeia-Tri, um 
material de western que também fora produzido na
Itália e que originalmente se chamava Storia del West, publicada pela Collana Rodeo a partir de 1967, 
com relativo sucesso.











Esta serie tinha sido lançada por Aizen de forma
experimental e por isso saia a cada três meses e fez um
grande sucesso. Tanto, que na década de 80 a EBAL,
que tinha lançado todos os 73 edições da serie decidiu 
reeditar alguns volumes que estavam esgotados.
Ao tomar conhecimento desse fato curioso  Lotario 
ficou animado. Estava disposto a lançar Tex para 
ver no que iria dar. Estava disposto a pagar para ver.

Contrariando totalmente a tendência do mercado, 
o ranger da Bonelli Comics foi lançado e obteve
um sucesso mediano - pagava os custos e dava
um pequeno lucro -, para a alegria do editor, que
jamais poderia imaginar que durante 12 anos a 
Vecchi editaria Tex, e que ao longo dos anos o
personagem conquistaria milhares de leitores fiéis.
Se por um lado a Vecchi fez uma façanha incrível: 
ressuscitar o gênero faroeste, por outro a editora não
publicava as capas originais e não seguia a sequência
lógica das HQs italianas.
Segundo os colecionadores de Tex, as capas editadas
 no país eram lamentáveis e mal impressas.
Mesmo assim, a primeira edição quando chegou
às bancas, em fevereiro, teve uma grande aceitação 
por parte dos leitores do gênero. A revista evaporou, literalmente. Porém a edição # 2 sofreu um atraso. 
Para o desespero dos leitores, e só chegou aos pontos 
de venda em abril. Portanto, em março muita gente 
ficou frustrada.
  




PAULO GUANAES

Este era o nome do carioca que foi o responsável pela
tradução de Tex por 40 anos em que a serie foi 
publicada no país.  Guanaes começou trabalhando 
revisando as traduções das fotonovelas italianas, que eram publicadas pela Vecchi no Brasil, quando tinha 18 anos. Exerceu essa função até os 22 anos. Graças ao editor 
de origem espanhola, Adolpho Garbayo, que fora
contratado pela Vecchi, é que Guanases teve a 
oportunidade de traduzir uma primeira edição de
fotonovela italiana, como teste, e foi aprovado. 
Assim, assumiu a função de tradutor oficial daquela 
casa editorial.  Com o tempo, surgiu a ideia de lançar
Tex e coube a Paulo Guanaes a responsabilidade 
de traduzir as aventuras do ranger.  
  
TEX, NO BRASIL



Inicialmente, a Vecchi adotou um formato quase similar
ao italiano e cada volume tinha entre 120 a 160 páginas. Manteve esse formato e a média de páginas até a 
edição # 37, que saiu em março de 1974 – O Temível Coiote Negro. Na edição # 38 – Emboscada na Ilha Misteriosa – o tamanho foi reduzido para o formato 13,5 x 17,5 cms, que assim ficou até 2008, quando o editor oficial da serie 
era Carlos da Fonseca, que era auxiliado por duas diagramadoras, Beatriz Sarahyba e Maria Joaquina Fernandes. Os três, na verdade, eram especialistas em fotonovelas, jamais tinham trabalhado com HQs. 
Na época, revistas como Romântica e Ternura 
vendiam muito e Grande Hotel era o carro-chefe 
da Vecchi. Além desses títulos, todos destinados
as mulheres, haviam outros títulos, como:
Figurino Moderno, Figurino Infantil, Figurino Noivas e Culinária tinham caído no gosto das leitoras. 





Nesse período o país estava nas garras da ditadura militar
 e todos os veículos de comunicação eram monitorados pelos censores de Brasília. Nenhuma insinuação contra o sistema vigente e imposto a Nação, ou alusão a sexo era permitido.
Até um beijo mais ardente era considerado impublicável. Marina Ferreira trabalhava para o governo onde exercia a função de Censora. Cortava textos, artigos e imagens que
achava impróprias para o povo. 
Por ironia, no início dos anos 80, ainda sobre o regime ditatorial, é que as revistas de sacanagem, destinadas aos adultos, que traziam o nu frontal foram liberadas. 
Mas, os editores tiveram que assinar um termo de responsabilidade e muitos acabaram sendo extorquidos
por policiais corruptos que visavam faturar ameaçando apreender as mercadorias que achavam
serem despudoradas.
Senti isso na pele quando trabalhava na editora Noblet, 
onde eu era o diretor de redação responsável pelas 
revistas Hot Girls e Contos Excitantes. 
Fomos levados a uma delegacia e ao forúm
para responder um processo de 
atentado ao pudor.   


SURGE OTACÍLIO BARROS


Com o sucesso obtido por Tex, Lotario pensou em 
subdivir a redação em diversos núcleos editoriais, 
visto que havia um preocupação em relação a editora 
Abril, casa editorial paulista, que era forte concorrente e
que expandia rapidamente o número de títulos similares,
sob o comando do ex-radialista Cláudio de Sousa.
Além disso, as revistas em quadrinhos Disney faziam um grande sucesso e, de imediato, o pessoal da Abril tinha ampliado o número de HQs lançadas.




Assim, um jovem cartunista e editor foi contratado
por Lotario para assumir exclusivamente as edições 
de Tex, o jovem Otacílio d'Assunção Barros, que 
nos anos 60 tinha trabalhado para a EBAL, de Adolfo
Aizen. A ideia era criar um núcleo específico para
cuidar das Hqs publicadas pela casa. 
Guanases, o tradutor, também foi convocado para criar e comandar o setor de revisão da editora.
Ante o sucesso de Tex e a ascensão das HQs a 
ideia de Lotario era expandir os títulos 
de Histórias em Quadrinhos.

UM NOVO CONCEITO EDITORIAL



No passado, o editor Carlos da Fonseca só publicava 
aventuras completas do ranger, motivo pelo qual 
havia uma irregularidade no número de páginas de cada edição. Otacílio implantou mudanças radicais, padronizou
o número de páginas das edições de Tex (112). 
Passou a publicar Hqs em continuação, reduziu em 2 centímetros o formato da edição, melhorou as capas, padronizou o tamanho da logomarca, que ficou menor e respeitou a sequência das aventuras publicadas na Itália,
que passaram a ser lançadas em ordem cronológica.
Na época, os editores acreditavam que o leitor brasileiro 
não gostava de HQs longas, de continuação, inclusive 
o proprietário da Vecchi. Otacílio desmistificou isso.
Curiosamente as vendas de Tex aumentaram.
O jovem editor que assumiu a divisão de HQs da Vecchi também resgatou os almanaques especiais de final de ano
e os de férias escolares (com cerca de 200 páginas), 
que faziam muito sucesso entre os anos 1910 e 1950, 
e que tinham desaparecido na década de 60.
Outras inovações também foram feitas pelo Ota
e o interessante é que elas perduram nas edições de 
Tex até hoje.

“Tex teve sua primeira edição nacional, pela Vecchi, fora de ordem “- disse um antigo colecionador da serie - “ O Signo da Serpente, publicada no Brasil na edição # 1, além de não corresponder a primeira edição lançada na Itália era uma aventura fora do comum do ranger. Tex e seus pards, fantasiados de índios, viviam uma aventura num mundo de dinossauros, num canyon perdido no velho Oeste.
Esta HQ tinha pouco a ver com as tradicionais histórias 
de western. As vezes chego a pensar: 
Como é que o personagem emplacou, com uma história inusitada dessa?”



Na verdade, o sucesso do ranger não foi instantâneo. 
Durante alguns números as vendas foram medianas. 
Mesmo assim, Lotario decidiu continuar. 
A coisa só veio a melhorar quando Otacílio 
assumiu a divisão de HQs e colocou ordem em tudo.
Convém lembrar que, na época, enquanto as edições 
de HQs de cowboys definhavam, os pocket books de
westerns e outros gêneros lançados pela editora 
carioca chamada Monterrey, que estavam sendo 
lançados desde e a década de 50, continuavam em 
alta. Suas capas eram feitas pelo genial Benício, 
que dava um show de pintura. E elas atraiam, sem
dúvida, os leitores. Comprei e colecionava
diversos títulos dessas series.

A CONSOLIDAÇÃO DO RANGER



Tex só começou a se consolidar a partir de 1975, 
quando suas vendas começaram a crescer gradativamente.
Em 1976 passou a vender 60 mil exemplares. 
No segundo semestre desse mesmo ano os leitores 
regulares, que tinham fielmente acompanhado as 60 
primeiras edições, tiveram uma surpresa: 
foi lançada uma segunda edição da revista – algo até 
então inédito no mercado de quadrinhos no país.

1977 – Neste ano as vendas beiravam os 80 mil exemplares.  
A nova serie que tinha sido lançada se tornou um grande sucesso editorial.
Muitos, que tinham perdido as primeiras edições da serie normal passaram a colecioná-la. Essa edição, para ser facilmente reconhecida foi redimensionada e algumas características básicas só existiam nela.
De súbito, uma verdadeira avalanche de correspondência começou a chegar diariamente à redação de Tex.
Como muitos desejavam completar sua coleção a editora mantinha alguns números atrasados estocados para vender
diretamente aos leitores, enquanto a distribuidora só trabalhava com as 6 últimas edições.

UM FENÔMENO EDITORIAL



Foi graças a persistência de Lotario Vecchi e as mudanças feitas por Otacílio é que Tex a partir de 1978 se tornou 
o maior fenômeno de vendas. Seu único concorrente era
Jonah Rex, lançado pela EBAL. Porém, esse western
lançado pela concorrente não chegava aos pés das vendas auferidas pelo ranger bonelliano. A primeira serie da 
revista Tex vendia 120 mil cópias mensais em 1979, e 
chegou em 1981 a 150 mil, algo até então inédito no 
país, em se tratando de quadrinhos. 
A segunda serie vendia um pouco menos, mas 
também tinha uma ótima tiragem.



NOVOS LANÇAMENTOS

Em 1974, Tex tinha provado a Lotario que editar 
histórias em quadrinhos era um ótimo negócio. 
Mediante as projeções que fazia, daquele promissor 
produto editorial, era possível vislumbra que um dia as aventuras daquele ranger venderiam muito mais,
tal qual acontecera na Itália. isto estimulou Lotario 
a lançar mais títulos de Quadrinhos pelo selo Vecchi, 
sob a coordenação de Otacílio.

O plano foi colocado em prática com extrema rapidez. 
Pouco tempo depois, a Vecchi lançava diversos 
personagens para crianças, como: Gasparzinho
(Casper - The Friendly Ghost), Brasinha, A Bruxinha
Luísa e outros, que a uma década atrás tinham sido lançados no país pela editora O Cruzeiro.









Além desses títulos consagrados mundialmente 
lançou também Os Strunfs ( Smurfs), serie até 
então inédita no Brasil.
Dentre os diversos títulos lançados por aquela casa editorial três se destacaram: Spektro – que reunia HQs de terror de autores nacionais -, Eureka – que trazia HQs mais 
sofisticadas e resgatava personagens importantes
da antiga revista O Grilo, editada entre 1971 e 1973. Desfilavam pelas páginas de Eureka autores americanos e europeus de vanguarda. 
Foi nela que também surgiu Vizunga, um clássico do
saudoso mestre Flávio Colin. A revista Eureka
apregoava a valorização das HQs.














Infelizmente Eureka teve breve duração – 12 edições.  
Mas, a grande novidade ainda estava por vir:
A revista Mad, que foi lançada em 1974. O interessante
 é que a 22 anos atrás Mad  era um sucesso em 
diversas partes do mundo, mas  os editores nacionais não acreditavam que ela poderia acontecer no Brasil. 
Mad se tornou, com incrível rapidez, um fenômeno
editorial. Segundo estatísticas, Mad vendia na 
segunda metade da década de 70 cerca de
180 mil exemplares.       
Os demais editores, que jamais tinham sonhado 
com o sucesso da Mad no país, rapidamente lançaram
títulos para competir com mais este campeão de 
venda lançado pela Vecchi. 

A editora Abril lançou Pancada, em 1977, a editora
dos irmãos Savério e Bartolo Fittipaldi lançaram
Crazy, em 1978, e a EBAL lançou: Kilk e Plop, 
em 1975, e Gripho na década de 80, algumas delas
feitas por autores nacionais. 
Porém, Mad se mostrou imbatível.








Otacílio, sabiamente, convocou autores brasileiros para colaborar com a versão nacional da Mad, que era mensal, enquanto a americana era bimestral. Assim, além do 
material Made in U.S.A a versão tupiniquim 
trazia adaptações de cinema e da TV que mostravam
muito da realidade e da cultura nacional, entre os
anos 70 e 80.
Talvez, graças a esse “tempero” nacional Mad fez
grande sucesso no país. Muitos autores brasileiros
talentosos colaboraram com a revista Mad.
Não demorou muito para a revista chegar aos 500 mil exemplares mensais de venda.
Ante o sucesso estrondoso de Tex e da revista Mad,
Lotario - rindo sozinho - optou por parar de lançar as decadentes fotonovelas românticas. 
Afinal, o mundo estava mudando e uma nova mulher 
disputava o mercado de trabalho com os homens e 
não mais sonhava apenas em ser uma boa
mãe e dona de casa.
Assim, em 1977, a Vecchi decidiu apostar em novos lançamentos de Quadrinhos.

SPEKTRO, UM CLÁSSICO 
DE TERROR



Desde os anos 50 o Brasil mantinha a tradição de
lançar títulos de terror, em geral, bem sucedidos.
Otacílio, um apaixonado por HQs, decidiu resgatar 
esse tipo de produto editorial que há muitos anos não 
se via nas bancas. A ideia era arrojada, lançar um 
almanaque de 196 páginas, com material importado.
Lotario não hesitou e decidiu autorizar que o ousado
projeto fosse adiante. A primeira edição de Spektro 
reunia 15 HQs sobrenaturais narradas pelo
personagem Dr. Spektro. Acontece que a revista tinha
surgido de uma forma experimental e, por sorte, 
deu certo. O drama era que não havia mais HQs do Dr. Spektro para o segundo número. 
O jeito foi mudar o título da publicação apenas para
Spektro. Preparar a segunda edição – que só foi publicada
7 meses depois, em agosto de 1977 - foi um problema,
devido a baixa qualidade do material - ,
apesar de serem adquiridas novas HQs de terror
americanas que eram distribuídas no país pela Record, 
de Alfredo Machado.



 AUTORES NACIONAIS

Os quadrinhos importados de terror só começaram a ser substituídos pelos nacionais a partir da edição 3. Além de veteranos como Shimamoto, Colin e Cortez surgiu também uma nova geração de excelentes desenhistas e roteiristas, 
como: Watson, Olendino, Ofeliano, Emílio Braz e 
outras feras. Otacílio impôs um esquema altamente 
criterioso para a aprovação das histórias feitas por
brasileiros e isso, sem dúvida, elevou o padrão da 
revista, que passou a publicar verdadeiros clássicos 
do gênero, que abordavam o folclore nacional e 
as lendas do nosso país.
Conclusão: Speketro se tornou um clássico e fez história. 
O sucesso dessa publicação incentivou a empresa a lançar outros títulos do gênero, como: Pesadelo, Histórias do Além, Sobrenatural, Almanaque de Terror e Almanaque de Assombração – todas de breve duração. Na verdade, nesses títulos eram publicadas as HQs que tinham sido recusados
para a Spektro. Portanto, tratava-se de material inferior.

MAIS TÍTULOS DA 
BONELLI COMICS

Lotario estava ciente de que histórias em quadrinhos eram rentáveis, e se Tex atraía novos leitores a cada dia, por que não lançar outros títulos do gênero? Sete meses depois de ter anunciado constantemente nas outras publicações da casa chamadas da revista Zagor, por fim a revista foi publicada e rapidamente se esgotou. Mensalmente 60 mil fiéis leitores passaram a adquirir Zagor, outro produto criado e desenvolvido pela Bonelli, da Itália.
Mais surpresas ainda estavam por vir.

1978 – Nesse ano a Vecchi lançou Ken Parker, de autoria do escritor Giancarlo Berardi e do desenhista Ivo Millazo. Rapidamente esta serie inteligente passou a ser cultuada 
pelos apreciadores da nona arte. Isso ocorreu na segunda metade do século XX.
Lotario Vecchi estava literalmente nas nuvens. 
De repente, sua despretenciosa casa publicadora tinha se tornado uma das mais importantes editoras de HQs 
do Brasil.
Lançou um almanaque com velhos clássicos de westerns, chamado História do Faroeste. Uma edição que trazia 
versões quadrinizadas de grandes astros do cinema 
e da TV, como: Roy Rogers, Rocky Lane, Durango Kid, Hopalong Cassidy, Don Chicote, Bat Masterson  e 
outros reis do bang-bang. Além desses clássicos a edição também trazia as tiras de jornais montadas de series como Polícia Montada e Nevada (Red Ryder). 
Na edição # 22 foi republicada a primeira HQ de Tex,
O Totem Misterioso, que tinha saído na revista 
Júnior # 28 em 1951.





AS HQs DE WESTERN
 RENASCEM

Tenente Blueberry, um clássico de western criado 
por Jean-Michel Charlier e Jean-Giraud (Moebius) 
também foi lançado pela Vecchi. Esta serie clássica
das HQs Made in Europa tinha sido publicada
 pela primeira vez em 1976, pela editora Abril – 
O Homem da Estrela de Prata -, adaptação do 
filme Onde Começa o Inferno, protagonizado por
John Wayne. Infelizmente Blueberry não vingou - 
saíram apenas duas edições pela Vecchi -, o 
mesmo ocorreu com a serie Comanche, criada por
Hermann e Greg, que só teve duas edições.
Mesmo não obtendo um bom retorno financeiro 
dessas últimas publicações Lotario insistia em
lançar novos produtos editoriais.






Skorpio, um famoso título de revista da Argentina, 
chegou a ser lançado num almanaque de 200 páginas 
em 1981. Em suas páginas desfilavam diversos heróis de aventuras policiais. Porém, este novo lançamento 
também não emplacou.

SURGE CHET



As últimas tentativas editoriais tinham sido frustradas,
era preciso criar algo que, de fato, agradasse os leitores. 
Devido ao contato que Lotario tivera com desenhistas e roteiristas nacionais, graças a Spektro, surgiu uma ideia: 
criar um personagem do velho Oeste, feita por autores
nacionais. O que a princípio parecia ser uma ideia 
maluca, se concretizou e virou realidade, graças ao
talento dos irmãos Wilde e Watson Portela.
Assim surgiu Chet em revista própria e fez 
sucesso. A serie Chet, com roteiros de Wilde teve
inúmeros desenhistas e muitos leitores consideram
algumas dessas histórias verdadeiras obras
primas, melhores até do que muitas HQs de Tex.




TEX DESENHADO POR 
BRASILEIROS

Você sabia que... duas capas do ranger da Bonelli Comics foram feitas por desenhistas brasileiros? Isto ocorreu 
em duas edições especiais: uma de Natal e em outra 
de férias. Quem foram os privilegiados? Watson Portela e Roberto Sbrissa. Watson fez a capa da edição # 90 , 
Pacto de Sangue, lançada em 1979. E, Sbrissa 
ilustrou a capa da edição # 100 , Aventura em Utah. 
Ambas as aventuras que tinham sido publicadas na
década de 50, foram reprisadas.
Segundo Otacílio, a capa original italiana de Pacto
de Sangue não tinha nada a ver com o tema da 
história, que era sobre o casamento do herói. 
Como o lançamento do casamento do Fantasma,
personagem criado por de Lee Falk,  tinha sido
um sucesso, ele decidiu encomendar estrategicamente
para Watson uma capa mais condizente com o miolo. 





Essa história, que marcou época, teve a tradução de
Giovanni Voltolini, um morador da capital paulista, 
que conheceu Ota durante uma visita ao Rio de Janeiro.
Mas, no expediente o nome dele apareceu apenas 
como colaborador. Este excelente tradutor só passou
a ter seu nome  creditado a partir da edição em que foi publicada a história O Ídolo de Cristal.
Giovanni, que durante uma visita à Itália ficara 
conhecendo a revista Ken Parker sonhava em
traduzí-la para o português um dia. Chegou a comentar
isso com Otacílio. Entretanto, o Ota lhe disse que publicar
Ken Parker no Brasil fazia parte dos planos, mas que a tradução ficaria a cargo daquele que vertia Tex para o português: Paulo Guanaes. 



O trabalho sintetizado do desenhista italiano Ivo
Milazzo, a la Alex Toth, agradou em cheio os desenhistas brasileiros e os fãs de Hqs. Até hoje o personagem que é 
editado por Wagner Augusto é cultuado pelos admiradores 
da Nona Arte. Arte e texto, nessa serie, estão
em perfeita sinergia.
Segundo esse tradutor paulista, que lia Tex desde o
número 1, a edição comemorativa dos 100 anos de Tex
foi feita às pressas. Também afirmou que não continuou 
a colaborar com a Vecchi devido a distância. 
A Vecchi estava sediada no Rio de Janeiro e o tradutor
morava na cidade de São Paulo.
Naquela época, como não existia Internet no país,
manter contato à distância era complicado.

A editora Vecchi, devido aos seus inúmeros títulos de HQs, estava prestes a se tornar a maior editora carioca de quadrinhos do Brasil. Em São Paulo, sua forte concorrente
era a editora Abril, que liderava o mercado de HQs 
infantis e que também passou a publicar os 
super-heróis da Marvel, da DC e da Hanna-Barbera. 














A Vecchi, que não queria ficar para trás, em agosto de 
1980 lançou o primeiro álbum especial do ranger 
com capa dura – O Ídolo de Cristal.
A mesma HQ seria reprisada anos depois no primeiro
 número em cores lançado pela editora Globo, em 1990.
A mesma aventura também voltou a ser relançada 
na serie Tex Coleção, em 2008.
Como as vendas de Spektro, Tex e Mad estavam 
em alta, a Vecchi passou a lançar duas edições 
do cowboy bonelliano em publicações quinzenais. 
Esta mudança aconteceu em agosto de 1981.

FIGURINHAS DE TEX

Tex era o carro-chefe da Vecchi, mas Spektro ameaçava 
essa liderança de vendas, pois tinha um público fiel 
que crescia a cada mês. Por essa razão, Lotario optou por lançar um álbum de figurinhas do ranger chamado 
O Livro de Ouro da Juventude. 
Tal publicação inusitada visava atingir os mais jovens
e até as crianças, que não liam HQs de westerns, 
mas adoravam colecionar figurinhas.
O álbum tinha 32 páginas e 384 cromos.
Infelizmente, esse álbum não foi distribuído para
todo o país e hoje é disputado por colecionadores.
Muitos fãs do personagem nem tomaram conhecimento 
de sua existência, na época.

Com o aumento das tiragens, a Vecchi passou a ter em suas revistas de HQs inúmeros anunciantes que ajudavam a minimizar os custos operacionais. Uma gama de produtos populares passaram a ser anunciados – um grande feito para uma editora de Quadrinhos.
Outros títulos novos foram lançados nesse período.
Tudo indicava que a empresa navegava em águas calmas 
e que o negócio ia de vento em popa. Mas, as turbulências estavam por vir.








O COMEÇO DO FIM

Segundo alguns, a fachada aparentemente calma 
daquela casa editorial que aumentara ao longo dos anos
seu faturamento de forma descomunal ocultava uma 
guerra nos bastidores entre Lotario e seus irmãos, que
não se conformavam dele ter sido o escolhido pelo pai
para comandar a empresa no Brasil. Apesar dos irmãos participarem da empresa, o clima era tenso entre eles. 
Amália Vecchi presidia o grupo e Lotario era o 
vice-presidente executivo. 
Exercia o cargo com competência, mesmo sob os 
protestos dos demais membros da família.
Quando Arthuro Vecchi faleceu, na Itália, os conflitos eclodiram abaixo da linha do Equador.
Mesmo em meio a essa disputa acirrada pelo poder, Lotario ainda criou um novo selo editorial em 1980: Mundo Latino, destinado a lançar títulos de revista para adultos, assim
que o Ministério da Justiça do governo do general 
Figueiredo acabou com a censura prévia através de
um acordo tácito, sem decreto, onde doravante os editores seriam os responsáveis por seus produtos, que não
deviam descambar para a pornografia.
Mas, esse acordo não foi respeitado e não demorou 
muito para que as primeiras revistas pornográficas 
fossem parar nas bancas, provocando manifestações
de protestos - das mulheres, é obvio.
Revistas como Ele e Ela, Lui e Playboy passaram 
a exibir mulheres nuas mostrando os pelos pubianos pela primeira vez e suas vendas foram astronômicas. 
A Vecchi também entrou na onda e seu novo selo 
acabou obtendo bons lucros.





1982 – No segundo semestre desse ano a situação interna 
da editora tinha ficado insuportável. As vendas em geral começaram a cair e a culpa, obviamente, foi atribuída a Lotario. Há quem afirme que a falência da empresa
aconteceu devido a diversos acontecimentos e problemas internos e externos. Por exemplo: Diz-se que Lotario tinha contraído um grande empréstimo para adquiri uma 
máquina de impressão rotativa, que possibilitaria a 
sua editora lançar uma revista semanal de informação para competir com a revista Veja, da editora Abril, Isto É, da Gazeta Mercantil e outras. 




Porém, o Brasil da época estava passando por um período turbulento da política econômica.
Os juros aumentaram visando conter o consumo e reduzir a inflação fazendo as dívidas da editora extrapolarem.
Isso teria feito aumentar o conflito familiar e Lotario 
acabou se retirando da empresa. Em pânico, os credores, temendo levar um calote, decidiram requerir a falência da Vecchi. O principal fornecedor de papel, ao perceber
 a situação cortou o fornecimento da matéria prima em 1983.

No depósito da editora ainda havia uma pequena
quantidade de papel em estoque, que foram o suficiente 
para imprimir algumas edições de Tex, Zagor, Ken Parker, 
a edição # 103, da Mad e o Almanaque de Terror,  da 
primeira quinzena do mês seguinte. 
Por não conseguiram honrar seus compromissos a falência 
foi decretada. A serie de Tex foi interrompida bruscamente
na edição # 161, quando completava exatos 12 anos de publicação ininterrupta no país.









Os fãs do ranger ficaram apreensivos, a ver navios, 
por não verem as revistas circulando. Não sabiam o 
que tinha ocorrido. Milhares de cartas foram enviadas
para a editora solicitando uma explicação, mas não 
obtiveram retorno.
Foi através de uma nota publicada no Jornal do
Brasil, edição de fevereiro, que os leitores do Rio de
Janeiro tomaram conhecimento da falência da empresa. 
A notícia se alastrou e em pouco tempo os colecionadores 
de Tex ficaram cientes da cruel realidade.

RESSUSCITANDO DAS CINZAS

Somente em junho, Tex, Zagor e Ken Parker voltaram às bancas, para o delírio de seus fãs. Parecia que a velha 
Vecchi estava ressuscitando. Se por um lado rever esses
títulos encheu de alegria seus seguidores, por outro os traumatizou quando tiveram que pagar 160 cruzeiros  - dinheiro da época - por cada revista. Um aumento terrível, devido a uma inflação galopante que assolava o 
país, na casa dos 100%, nos últimos meses.
E o pior era que as edições tinham saído com um menor número de páginas. Na realidade, a Vecchi, num esforço supremo, precisando levantar um capital 
para saldar suas imensas dívidas, não tinha conseguido
obter papel suficiente para rodar aquelas edições 
mantendo o mesmo padrão de número de páginas como anteriormente.
No rodapé da página tinha um aviso: “Agora, mensalmente nas bancas!” Tex não ia mais ser lançado quinzenalmente. Mesmo assim, muitos leitores da serie ficaram animados com o ressurgimento daquela editora que tanto adoravam.
O que os leitores e o pessoal da Vecchi não suspeitavam 
é que a Bonelli Comics estava acertando os últimos
detalhes para lançar suas publicações por um outro selo editorial: RGE (Rio Gráfica Editora), como consequência
da quebra de contrato por parte da Vecchi.
Segundo consta na distribuidora, Tex era a segunda 
revista mais vendida no Brasil. Ficava atrás apenas da 
urma da Mônica, que na ocasião era publicada
pela editora Abril.



Julho – 1983: Duas edições de Tex (#164 e # 94) e Zagor 
edição # 55 surgiram nos pontos de venda, justamente
no ano em que aquela casa editorial estava completando
seus  70 anos de existência. Elas representaram os últimos suspiros de uma grande editora que fez história nesse 
país e que deixou saudades.

Na realidade a falência súbita dessa tradicional 
casa editorial ainda se constitui um mistério.
Há quem afirme que a empresa faliu devido aos gastos excessivos de seus gestores; outros atribuem a queda 
devido a desavenças familiares. Enfim, há muitas 
lendas a respeito.
Na década de 80, eu era proprietário da E.T.F 
Comunicação Comercial Ltda – minha primeira editora -, quando fui rodar Fantasticman, Fantasma Negro e Clube 
dos Quadrinhos na gráfica do  Jornal do Brasil,
no Rio de Janeiro, tomei conhecimento de esse tradicional jornal carioca era o síndico da falência. Ou seja, por ser o maior credor da Vecchi tinha se apossado de todo 
equipamento e material da editora, que tinha sucumbido.
Naquela época, o vendedor do jornal, Almir, levou eu e o Carlos Cazzamata –  proprietário da Nova Sampa 
Diretriz – até a sede onde outrora funcionava a Vecchi. Percorremos as dependências daquele enorme prédio,
vimos os maquinários empoeirados e ali pudemos ver 
milhares de fotolitos montados de fotonovelas etc.
“Essas fotonovelas vendiam para caramba! “ - disse 
Almir e indagou: “Pra vocês não interessa relançar 
esse material?”
Quando perguntei por que uma empresa daquele 
porte tinha falido, ele respondeu: 
“Parece que o pessoal gastava mais do que podia... 
ficaram devendo pra meio mundo, inclusive para nós, 
que rodamos as edições derradeiras!”

A todos os membros dessa nobre família italiana,
em nome dos admiradores de Tex e de HQs em geral,
nossos respeitos pelo belo trabalho desenvolvido
ao longo dos anos. Valeu, Vecchi!


Por Tony Fernandes\Redação\Pegasus Studio
Uma Divisão de Arte e Criação da 
Pégasus Publicidade Ltda -
São Paulo – SP – Brasil
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