CONHEÇA A ARTE
E A HISTÓRIA DA CARREIRA
PROFISSIONAL DO GENIAL
MESTRE DOS FUMETTIS...
HUGO PRATT
O mundo todo reconhece Hugo Pratt como um
grande artista, mas no Brasil pouco se conhece
sobre o grande trabalho deste
excepcional mestre das HQs,
principalmente a nova geração.
Poucos de seus álbuns foram lançados em terra
brasilis, onde o público leitor viciado em consumir
super-heróis e mangás, teimam em torcer o nariz
para o trabalho deste grande e inigualável mestre
italiano, que com o passar dos anos decidiu
sintetizar sua obra economizando traços.
Seus desenhos apenas sugerem as figuras,
de forma espetacular.
Já ouvi muito leitor de HQs dizer por aí, quando
questiono sobre a arte de Pratt: “Ivo Milazzo,
do Ken Parker, que também sintetiza o traço,
eu adoro. Mas Hugo Pratt? Tô fora!”
Quando questionei o por que esses leitores
mal-informados não admiram a obra de Pratt,
geralmente, ouço: “Já vi Corto Maltese e, pra mim,
é um trabalho feito nas coxas, muito chutado,
mal-acabado.”
“Você conhece outros trabalhos de Hugo Pratt?”,
já questionei para muitos por aí.
“Não e nem quero conhecer”, responderam
a maioria. “Já vi Corto Maltese,
que é tão badalado,
e achei que ele não tá com nada.”
Puro preconceito, chego a conclusão.
Se esses leitores não conhecem o conjunto da
obra, como podem julgar o artista apenas por
um único trabalho que viu?
Obviamente, Corto Maltese e outras obras do
mestre italiano não foram destinadas pra esses
adolescentes que só pensam em super-heróis e
em mangás e que adoram desenhos,
rebuscados, “punhetados”. Mas, desconhecer
uma grande obra como a de Hugo Pratt e julgar
seu trabalho uma droga é um sacrilégio,
convenhamos.
A ESSÊNCIA DA ARTE
Para entender arte é preciso conhecê-la a fundo,
estudar sua história, etc. Arte é definida em
qualquer dicionário como forma de expressão,
quer seja ela moderna ou primitiva. Quando uma
criança faz seus primeiros rabiscos toscos ela
está fazendo arte. Ou seja, esta se expressando
através de uma arte primitiva, ainda não evoluída.
![]() |
Capa feita por Hugo Pratt para uma edição inglesa |
Daí é fácil deduzir que todos nós nascemos
propensos a fazer arte, visto que rabiscar
desenhos e pintar são as nossas primeiras
manifestações na infância. O potencial
artístico já está em nosso DNA.
Sempre defendi esta tese.
Todo ser humano nasce
com um grande potencial
dentro de si, que só vem à tona ao longo
dos anos e através de estudos.
O que, em geral, acontece.
No entanto, alguns
decidem desenvolver este talento nato,
enquanto outros, com menos afinidades,
decidem optar por outras
áreas profissionais.
Quando comecei a estudar arte uma coisa
me intrigava: aqueles boizinhos e vaquinhas
desenhadas por Picasso. Ao meu ver,
aquilo era ridículo. Onde estava o seu valor
artistico, naquelas telas, se até uma criança
poderia pintar uma coisa daquela?
Me perguntava.
Santa ignorância, a minha.
Com o passar do tempo fui
conhecendo os diversos
tipos de artes como o impressionismo, um
novo modo de expressão artistica que surgiu
após a invenção da máquina fotográfica. Onde
cada autor fazia sua própria visão das coisas
e do mundo. Veja, quando as arcaicas
câmeras de fotografia surgiram não havia
mais motivo para os pintores registrar em
suas telas a realidade, como fizeram
os Da Vincis do passado.
Foi assim que surgiu o impressionismo.
Uma arte rebuscada,
feita de manchas confusas, que só é possível
enxergar com clareza sua riqueza de
detalhes à distância.
Enfim, trata-se de uma técnica fantástica,
maravilhosa,que vale a pena ser estudada,
onde o autor, que parecia
estar dopado ou alcoolizado,
dava a sua visão pessoal das coisas.
![]() |
O clássico Corto Maltese |
Ao longo dos anos, aprendi que todo ser humano,
que se dedica a arte, em geral, tende a ficar
cada vez mais minúscioso em suas obras,
cada vez mais detalhistas, técnico,complicado, cheio
de regras, etc, e que com isso acaba perdendo sua
espontaniedade.
É justamente aí que a obra de Picasso tem
seu imenso valor. Em seus quadros o
genial pintor espanhol, apesar de ser um
profundo conhecedor de anatomia, perspectiva, etc,
desenha com a mesma espontaniedade de
uma criança, aquelas vaquinhas e boizinhos,
que eu julgava simplório. Parece fácil, mas não é...
Você que desenha, que é um profissional
da área, que aprendeu técnicas e que dedicou
milhares de horas estudando luz e sombra,
anatomia, perspectiva, etc, tente fazer
uma arte espontanea.
A gente não consegue. Fica difícil.
Nos tornamos complicados de mais,
bitolados em regras, ao
longo dos anos, queremos
encher o trabalho de
risquinhos, de detalhes, etc.
Um homem com a bagagem profissional
de Pablo Picasso, conseguir desenhar
aos 80 anos de idade aquelas figuras
primitivas com aquela espontaniedade
realmente é algo fantástico e não é tarefa
fácil para quem tem anos na estrada
no mundo das artes.
Daí o seu grande valor artístico.
A chamada pintura clássica do passado,
que retratava a luz e sombra de cada
folha como estava representada ma Natureza
deixou de ter seu valor artístico, como já
citei, com o advento da fotografia.
Daí os novos e criativos artistas passaram
a inventar novas expressões artísticas
dando origem a atual arte moderna,
de vanguarda. O mercado busca novas
expressões artísticas. Pois, a arte como
tudo deve evoluir e não se estagnar.
Salvador Dali foi outro gênio que
distorceu as coisas, Picasso implantou
o cubismo. Por isso são geniais, foram
grandes inovadores.
Em minha longa trajetória profissional
atendi diversas editoras fazendo ilustrações
para livros infantis. Ao pegar, pela primeira vez,
um catálogo de uma famosa editora notei
que a maioria dos ilustradores famosos daquela
casa faziam um trabalho bem simples,
quase primitivo. Minhas figuras infantis, que eram –
segundo a minha concepção -, redondinhas e
caprichadas, não se enquadravam
naquele padrão, deduzi logo.
Tentei por vezes simplificar
meu estilo e aí senti
o drama, pois eu também estava viciado em trabalhar
de uma forma complicada e desenhar com
espontaniedade, agora, era uma tarefa difícil.
Pois saiba que, os autores que mais faturam nas
editoras de livros são esses que tem o traço simples
e espontâneo, primitivo, como o de uma criança,
como fazia Picasso.
Os baixinhos não gostam
de trabalhos rebuscados,
não conseguem se identificar com eles.
Quanto menos linhas, melhor.
Isto é o que chamamos de "desenho didático".
Portanto, de fato, na medida
em que envelhecemos
nos tornamos cada vez mais complicados e
perdemos nosso dom maior:
a espontaniedade.
![]() |
Pratt fez inúmeros gêneros durante sua carreira |
Artistas das HQs como Flávio Colin,
Shimamoto e Hugo Pratt, são
verdadeiros mestres no ofício de
produzir arte e HQs.
Possuem imensa bagagem cultural e artística.
Sabem fazer de tudo em termos de arte.
Mas, no caso especificamente, de
Colin e Pratt, com o passar
dos anos esses grandes mestres procuraram
sintetizar suas artes, minimizaram traços,
detalhes sem importância, mas nem por
isso suas obras deixaram de ter seu valor.
Muita gente que conheceu os trabalhos do
mestre Colin em “O Anjo”, onde ele seguia a
escola de Milton Caniff - um mestre do claro e
escuro-, torceu o nariz ao ver os últimos
trabalhos desse saudoso e querido mestre
brasileiro. Na época ouvi até profissionais
dizendo: O Homem avacalhou.”
Pois eu, que adorava “O Anjo”,
de Flávio Colin,
também estranhei a brusca mudança.
Mas, depois aprendi a admirar
e a entender sua arte e
passei a gostar daqueles
seus trabalhos estilizados
que ele criou, pois seu traço era
marcante e super expressivo.
O mestre buscava um estilo livre, diferente,
que fugisse as regras básicas acadêmicas.
Desse dia em diante, passei a respeitar todo
tipo de arte, toda forma de expressão, e
conclui que é idiotice querer comparar
trabalhos, visto que cada
artista está passando
por uma fase evolutiva, tentando se
encontrar, se definir.
Cada um tem seus vícios e seus erros.
Enfim, ninguém é perfeito.
É óbvio que para se publicar
uma prancha de História em
Quadrinhos é preciso ter
um certo critério.
Mas, isto não nos dá o direito de
criticar ninguém. Podemos orientar alguém,
mas jamais criticá-lo e tolher para sempre
o desenvolvimento de um possível
futuro grande artista.
Nesta matéria, você que não gosta
do trabalho de Hugo Pratt, por mera
ignorância, ou seja, por não
conhecer o conjunto da obra dele, vai se
encantar ao ver e conhecer todo o potencial
deste grande artista através das imagens
que ilustram este artigo.
Que assim seja!
PREPARE-SE PARA
CONHECER
MELHOR A CARREIRA
PROFISSIONAL
DE UM GÊNIO!
Hugo Eugenio Pratt nasceu no
dia 15 de junho de 1927.
Faleceu no dia 20 agosto de 1995.
Pratt foi um dos maiores criadores de HQs de
todos os tempos. Ficou conhecido
por combinar uma narrativa forte, com uma
extensa pesquisa histórica, iconográfica,
para realizar suas obras,
como, por exemplo, em Corto Maltese.
Por seu trabalho em Corto Maltese, Pratt
ganhou o cobiçado prêmio Will Eisner,
o mais importante
das HQs, nos Estados Unidos.
![]() |
HQ publicada na Corriere dei Piccoli, Itália |
DADOS BIOGRÁFICOS
Hugo Eugenio Pratt nasceu em Rimini,
em Romagna, em Veneza, Itália.
O jovem Hugo Pratt passou toda a
sua infância na cidade de Veneza, num
ambiente familiar muito cosmopolita.
Seu avô paterno, José, era de origem
Inglesa, enquanto que seu avô
ambiente familiar muito cosmopolita.
Seu avô paterno, José, era de origem
Inglesa, enquanto que seu avô
materno era um marrano judeu
e sua avó materna
e sua avó materna
era de origem turca.
O famoso ator dos filmes de
terror Boris Karloff, cujo nome de nascimento
era William Henry Pratt, nada tinha a
ver com a família
ver com a família
do desenhista veneziano.
Em 1937, Hugo Pratt mudou com sua mãe para
a Abissínia, na Etiópia,
Em 1937, Hugo Pratt mudou com sua mãe para
a Abissínia, na Etiópia,
juntando-se assim ao seu pai que foi trabalhar
lá depois que o país foi conquistado pela Itália
e pelo facista Benito Mussolini. O pai de Pratt,
foi um militar italiano.
Seu pai foi capturado em 1941 pelas t
ropas britânicas e em 1942 ele acabou
morrendo de doença quando
ropas britânicas e em 1942 ele acabou
morrendo de doença quando
estava vivendo como prisioneiro de guerra.
Pratt, aos 13 anos, combateu na Etiópia pelo
exército italiano de Benito Mussolini, que
apoiava a ação dos nazistas.
Depois, ele colaborou
Depois, ele colaborou
com as tropas aliadas como intérprete.
No mesmo ano, Hugo Pratt e sua mãe foram
internados num campo de prisioneiros
na Dirédaoua, onde ele comprava suas revistas
de HQs dos guardas.
Depois, ele foi enviado de
Depois, ele foi enviado de
volta para a Itália pela Cruz Vermelha.
Em 1944, o jovem Pratt, por pouco, não foi
executado pelos soldados da SS de Adolph
Hitler, que o confundiram com
um espiãp Sul Africano.
Em 1944, o jovem Pratt, por pouco, não foi
executado pelos soldados da SS de Adolph
Hitler, que o confundiram com
um espiãp Sul Africano.
Quando a guerra findou, Pratt se
mudou para Veneza, onde ele acabou
organizando entretenimentos para
as tropas aliadas.
Mais tarde, Pratt se juntou ao famoso
movimento artistico chamado "Grupo de Veneza".
Com outros cartunistas italianos, incluindo:
Alberto Ongaro e Mario Faustinelli e
decidiram fundar uma revista.
Assim surgiu a revista Asso di Piche
Alberto Ongaro e Mario Faustinelli e
decidiram fundar uma revista.
Assim surgiu a revista Asso di Piche
(Às de Espadas), que foi lançada em 1945,
como Albo Uragano , cuja temática principal
eram as histórias em quadrinhos de aventura.
A revista teve algum sucesso e revelou jovens
talentos, como: Dino Bataglia, Rinaldi D’Ami e
Bellavitis Giorgio - só feras.
Ás de Espadas chegou à Argentina
Ás de Espadas chegou à Argentina
e lá fez um sucesso retumbante.
Tanto que em 1949, Hugo Pratt foi
convidado para
conhecer o país de los hermanos.
Tanto que em 1949, Hugo Pratt foi
convidado para
conhecer o país de los hermanos.
PRATT NA ARGENTINA
No final da década de 40, Pratt mudou
definitivamente para Buenos Aires, capital
da Argentina, onde rapidamente foi contratado,
por um bom salário,
definitivamente para Buenos Aires, capital
da Argentina, onde rapidamente foi contratado,
por um bom salário,
e passou a trabalhar para editora Abril de lá.
OBS: Antes de existir a editora Abril no Brasil já
existia uma outra Abril da família
Civita no país vizinho.
Civita no país vizinho.
Assim, Pratt se reuniu a outros talentosos artistas
das historietas argentinas, como:
José Luís Salinas
José Luís Salinas
(autor de Cisco Kid), Alberto Breccia
e Solano López.
e Solano López.
Curiosamente, o desenhista brasileiro
João Mottini, nascido em Santana do Livramento,
João Mottini, nascido em Santana do Livramento,
no Rio Grande do Sul, e que começou
aos 10 anos de idade trabalhando em
jornais e que mais tarde trabalhou
aos 10 anos de idade trabalhando em
jornais e que mais tarde trabalhou
na editora Globo – do Sul -, fazendo ilustrações
para enciclopédias, em 1940, aos vinte e poucos
anos, decidiu ir pra Argentina, onde na época
as HQs de faroeste e aventuras estavam em alta
Lá, ele acabou conhecendo e trabalhando
ao lado de Hugo Pratt e os demais grandes
autores que formavam o grande time de
criadores de historietas
daquele país.
Lá, ele acabou conhecendo e trabalhando
ao lado de Hugo Pratt e os demais grandes
autores que formavam o grande time de
criadores de historietas
daquele país.
![]() |
Artes, acima e abaixo, do incrível João Batista Mottini |
![]() |
Negrinho do pastoreiro. Mottini também fez: Aba Larga e Buck Jones |
Mottini, Pratt, Salinas e Breccia deram
aula na famosa Escuela Panamericana
de Arte, a mesma que
anos depois Manoel Victor Filho, trouxe
para o Brasil. Salinas, Pratt, Breccia e Mottini
tiveram a honra de expor suas artes no famoso
museu do Louvre, em Paris.
Um dia, Mottini decidiu voltar ao Brasil e aqui
colaborou com o CEPTA,
Um dia, Mottini decidiu voltar ao Brasil e aqui
colaborou com o CEPTA,
criado pelo então governador gaúcho Leonel
Brizola com o intuito de alavancar as
Histórias em Quadrinhos nacionais.
Histórias em Quadrinhos nacionais.
Porém, a cooperativa chamada CEPTA
não foi avante.
Joao Mottini faleceu em 1990, aos 67 anos.
Foi, sem dúvida, um grande
guerreiro das HQs nacionais.
guerreiro das HQs nacionais.
Na Argentina, Hugo Pratt passou a
colaborar com a editorial Frontera e
assim os leitores daquele país tiveram
o prazer de ver e ler algumas das séries mais
importantes criadas por Pratt, como: Junglemen
(escrito por Ongaro), Sargento Kirk, Ernie Pike,
o repórter, e Ticonderoga.
Algumas dessas séries foram escritas por
Héctor Germán Oesterheld, um dos
maiores escritores do mundo
Héctor Germán Oesterheld, um dos
maiores escritores do mundo
dos quadrinhos argentinos.
Pratt, como já foi dito,
Pratt, como já foi dito,
também lecionou desenho na
Escola Panamericana
Escola Panamericana
de Arte, dirigida por Enrique Lipszyc.
Hugo Pratt, algum tempo depois, retornou
à Europa, mas o artista veneziano freqüentemente
viajava para a América do Sul e esteve
na Amazônia e no estado de Mato Grosso,
no Brasil. Durante esse período, ele
produziu seu primeiro livro de
Hugo Pratt, algum tempo depois, retornou
à Europa, mas o artista veneziano freqüentemente
viajava para a América do Sul e esteve
na Amazônia e no estado de Mato Grosso,
no Brasil. Durante esse período, ele
produziu seu primeiro livro de
quadrinhos como um autor completo,onde
escreveu e desenhou a série Jugla della
Anna (Ana da Selva).
escreveu e desenhou a série Jugla della
Anna (Ana da Selva).
Outras obras também de sua autoria foram:
Capitan Cormorant e Wheeling.
NA ITÁLIA SURGE A IDÉIA DE
CRIAR CORTO MALTESE
Do verão de 1959 ao verão de 1960,
Pratt viveu em Londres, na Inglaterra, onde ele
desenhou uma série de quadrinhos de guerra para
as publicações da Fleetway, com histórias feitas
por roteiristas britânicos.
Tempo depois, ele retornou para à Argentina,
apesar dos problemas
Tempo depois, ele retornou para à Argentina,
apesar dos problemas
econômicos que enfrentava aquele país.
De lá, mudou-se novamente para a Itália em 1962,
De lá, mudou-se novamente para a Itália em 1962,
onde começou a colaborar com uma revista em
quadrinhos dedicada às crianças a famosa
Corriere dei Piccoli , para a qual ele fez várias
adaptações de vários clássicos da literatura
infanto junevil de aventura, incluindo a Ilha do
Tesouro e Kidnapped, de Robert Louis
Stevenson.
infanto junevil de aventura, incluindo a Ilha do
Tesouro e Kidnapped, de Robert Louis
Stevenson.
Em 1967, Hugo Pratt encontrou Florenzo
Ivaldi, e com ele criou uma revista em
quadrinhos em homenagem a seu personagem,
Sargento Kirk, o primeiro herói escrito por
Ivaldi, e com ele criou uma revista em
quadrinhos em homenagem a seu personagem,
Sargento Kirk, o primeiro herói escrito por
Héctor Oesterheld.
Na primeira edição, saiu a mais
famosa história de Pratt: Una Ballata Salato
Del Mare ( A Balada do Mar Salgado ), que
apresentava pela primeira vez
o seu personagem
o seu personagem
mais conhecido: Corto Maltese.
Três anos depois, Corto também foi publicado
na revista francesa Pif. Devido à sua família ter
ascendência mista, Pratt tinha aprendido trechos
do cabalismo judaíco e conhecia muitas
histórias a respeito do tema e isto lhe
facilitou a vida para executar
muitos trabalhos.
facilitou a vida para executar
muitos trabalhos.
A maioria das histórias de Pratt são situadas
em suas épocas reais históricas
e lidam com fatos reais. Por exemplo:
A guerra de 1755, entre franceses e os
e lidam com fatos reais. Por exemplo:
A guerra de 1755, entre franceses e os
colonos britânicos está registrada na
HQ Ticonderoga, as guerras coloniais
ocorridas na África e as duas
HQ Ticonderoga, as guerras coloniais
ocorridas na África e as duas
Grandes Guerras Mundiais também estão
retratadas em suas séries de HQs.
Pratt fazia uma pesquisa exaustiva
e visual dos elementos de cada
época e alguns personagens
são figuras históricas reais
ou são baseados neles,
como o principal adversário
de Corto Maltese: Rasputin.
Pratt fazia uma pesquisa exaustiva
e visual dos elementos de cada
época e alguns personagens
são figuras históricas reais
ou são baseados neles,
como o principal adversário
de Corto Maltese: Rasputin.
Pratt foi o primeiro autor a se preocupar
em fazer este tipo de trabalho,
no mundo das HQs.
em fazer este tipo de trabalho,
no mundo das HQs.
Muitos dos personagens secundários de
seus fumettis (HQs, em italiano) passam de
uma série para outra de uma forma que
colocam todas as histórias de Pratt em
perfeita harmonia continua.
seus fumettis (HQs, em italiano) passam de
uma série para outra de uma forma que
colocam todas as histórias de Pratt em
perfeita harmonia continua.
As principais da séries de Hugo Pratt – pouco
conhecidas no Brasil -, fazem parte da segunda
parte de sua brilhante carreira de autor de comics.
parte de sua brilhante carreira de autor de comics.
Elas são: Gli Scorpioni del Deserto eJoe Jesuíta.
Ele também escreveu histórias para o seu grande
amigo e ex-aluno Milo Manara,
como: Tutto Ricominciò
como: Tutto Ricominciò
Un'estate Indiana con El Gaucho .
O ANDARILHO
Entre os anos dee 1970 a 1984, Pratt viveu
principalmente na França, onde
Corto Maltese, um personagem muito
Corto Maltese, um personagem muito
complexo psicologicamente
resultantes de suas
experiências de viagem e
de sua infinita capacidade
inventiva de autor,por
fim, se tornou seu personagem
experiências de viagem e
de sua infinita capacidade
inventiva de autor,por
fim, se tornou seu personagem
principal de uma série de histórias em quadrinhos
campeãs de vendas. Inicialmente a série passou
a ser publicada - entre 1970\1973 -, pela revista
francesa Pif Gadget , e foi um grande sucesso
de público e de crítica.
Posteriormente a mesma série foi publicada
de público e de crítica.
Posteriormente a mesma série foi publicada
em formato de álbum e acabou
sendo traduzida
sendo traduzida
para quinze idiomas.
De 1984 a 1995 o guerreiro Hugo
Pratt viveu na
Pratt viveu na
Suiça, onde o sucesso
internacional que Corto
internacional que Corto
Maltese começou continuou
em alta e ele se tornava
em alta e ele se tornava
cada vez mais um autor
de prestígio internacional.
de prestígio internacional.
Na França, a maioria dos seus trabalhos - da fase
pré-Corto Maltese -, passaram a ser publicados nas
edições de álbuns por diversas editoras como:
Casterman, Dargaud, e Humanoides Associés.
Hugo Pratt sempre teve
um espírito de viajante.
um espírito de viajante.
Viajou do Canadá até a Patagônia,
da África para a área do Pacífico,
segundo ele, em busca de
subsídios para suas criações.
Hugo Pratt, o bom gourmet
que adorava uma bela
macarronada morreu de câncer no dia
Hugo Pratt, o bom gourmet
que adorava uma bela
macarronada morreu de câncer no dia
20 de agosto de 1995, mas deixou
uma obra inigualável.
![]() |
Capas espetaculares foram feitas por Pratt para as edições inglesas |
Pratt citou autores como, Robert Louis Stevensom,
James Oliver Curwood, Gray Zane, Kenneth Roberts,
Herman Melville e outros mestres da escrita.
Sua obra influenciou e inspirou gente de peso,
como o cartunistas Lyman Young, Will Eisner
(o fantástico criador do Espírito) e
especialmente o grande Milton Cannif, que
sempre confessou ser seu fã.
UMA GRANDE HOMENAGEM
Sexta feira. Dia 15 de julho de 2005.
Na tradicional feira anual de HQs
chamada San Diego Comic-Com
Na tradicional feira anual de HQs
chamada San Diego Comic-Com
em sua décima sétima edição, onde
é entregue o cobiçado
troféu Will Eisner Comic
troféu Will Eisner Comic
Industry Awards, ele foi um dos quatro
profissionais do ano que entrou para o
Comic Book Hall of Fame.
Uma das séries criadas por Pratt, chamada
"Os Escorpiões do Deserto", foi
continuada após a sua morte.
Em 2005, um sexto volume
continuada após a sua morte.
Em 2005, um sexto volume
desta série foi lançado, com os desenhos
do competente Pierre Wazeem, chamado
"Le Chemin de Fièvre". Um sétimo álbum foi
agendado para ser lançado pela editora
francesa Casterman
"Le Chemin de Fièvre". Um sétimo álbum foi
agendado para ser lançado pela editora
francesa Casterman
e teve seu lançamento em março de 2008.
A tradicional editora Casterman também, em
várias ocasiões, insinuou o possível lançamento
![]() |
O tesouro inacabado que foi encontrado |
UMA GRANDE NOVIDADE
Quando Alfredo Castelli, autor e
estudioso de banda desenhada (HQs),
revelou ter descoberto
estudioso de banda desenhada (HQs),
revelou ter descoberto
há alguns anos 64 pranchas originais de uma
versão incompleta das aventuras de
Sandokan, desenhada por Hugo Pratt, em 1971,
o mundo da BD reagiu como se tivesse sido
encontrado um grande tesouro.
Hoje, quando a primeira edição destas duas
histórias inacabadas - Tigri di Mompracem e
La Riconquista di Mompracem - se prepara para
chegar às livrarias italianas (a versão em
francês só será lançada no Outono), a expectativa
é ainda maior. Sobretudo porque Castelli, que
está envolvido nesta publicação com
a chancela da editora italiana Rizzoli Lizard,
revelou apenas a primeira das pranchas
desenhadas por Pratt, o criador do indomável
e romântico Corto Maltese e do pragmático
Sargento Kirk.
Basta uma pesquisa rápida
na Internet para perceber que há
muitos leitores de BD que esperam
ansiosamente "as novas aventuras" da
personagem criada pelo escritor Emilio
Salgari (1862-1911) e que, na versão de Pratt,
tem a sua história contada
pelo roteirista Mino Milani.
Segundo o jornal argentino El País, que teve o
pelo roteirista Mino Milani.
Segundo o jornal argentino El País, que teve o
privilégio de poder avaliar
pela primeira vez uma das
64 pranchas originais - a única que
Castelli concordou em mostrar -, o
64 pranchas originais - a única que
Castelli concordou em mostrar -, o
aspecto do Sandokan de Pratt nada tem a ver
com o da versão cinematográfica e televisiva
que se tornou celebre pelo
ator indiano Kabir Bedi.
ator indiano Kabir Bedi.
Nesta prancha já conhecida puderam
notar que o autor italiano preferiu representar
o príncipe malaio - um homem corajoso que se
insurgia contra a tirania britânica e que tinha
uma namorada chamada Marianna e um
amigo português - sem barba, sentado numa
cadeira de vime, numa pose muito semelhante
às que podemos encontrar no próprio
Corto Maltese. E, também afirmaram que
o trabalho está de alto nível.
Isto deixou ainda mais seus fãs ansiosos.
O Sandokan de Pratt-Milani
foi uma encomenda do
foi uma encomenda do
Corriere dei Piccoli, o célebre
suplemento infantil
suplemento infantil
do diário italiano Corriere della Sera.
Quando a fantástica descoberta
foi revelada, o editor da
revista italiana só pensou em publicar o material
depois de receber a autorização da Cong SA,
a empresa que detém os direitos da
obra de Hugo Pratt.
Quando a fantástica descoberta
foi revelada, o editor da
revista italiana só pensou em publicar o material
depois de receber a autorização da Cong SA,
a empresa que detém os direitos da
obra de Hugo Pratt.
Castelli explicou aos jornalistas que a obra se
manteve inédita porque o autor italiano não
conseguiu cumprir os prazos de entrega que
os editores do Corriere dei Piccoli
tinham estipulado.
O ator americano Johnny Depp,
que vive o papel de Jack Sparrow, o
corsário dos filmes da série Piratas do
Caribe, disse que já buscou inspiração
tinham estipulado.
O ator americano Johnny Depp,
que vive o papel de Jack Sparrow, o
corsário dos filmes da série Piratas do
Caribe, disse que já buscou inspiração
em Sandokan para compor seu personagem.
Dizem por aí que Johnny Deep poderá vir a ser
o autor do prefácio do Sandokan
de Pratt na edição francesa.
de Pratt na edição francesa.
Só nos resta esperar para ver.
NÃO PERCA EM...
Uma matéria espetacular sobre a
carreira de WALT DISNEY
E SEU IMPÉRIO!
Confiram!
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